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19 dezembro 2017

O testemunho do Elena

Olá, sou Elena Marchese de Itália especificamente de Milão, é uma cidade muito agitad a, fria no inverno e um forno no verão. Há um ano atrás decidi mudar-me para outro lugar, deixei o meu trabalho de Transfer Agent num banco e voltei a trabalhar na ONG (Italiana-Modena Terzo Mondo), com mais de 20 projetos que ajudam as crianças e famílias carentes no Brasil.

Comprei o bilhete para Recife e voltei pela quarta vez para Joaquim Nabuco, estado do Pernambuco, cidade de 17.000 habitantes conhecida como ''Terra do Açúcar'', uma das cidades mais pobre do Nordeste brasileiro, trabalhei como animadora, coordenadora de voluntários, colaboradora de angariação e treinadora de futebol e voleibol. Foi uma experiência incrível, forte e muitas vezes chocante, mas ao mesmo tempo cheia de alegria. Sem dúvida tenho que agradecer a todas as pessoas que encontrei no meu caminho! 

Anos atrás viajei para o Algarve e fiz uma reflexão: “um dia tu tens que ir morar para Portugal”, porque o ritmo é muito mais relaxado, as  pessoas são mais gentis,  o clima é ótimo, a comida é muito boa, e sobretudo lá poderia surfar  nas boas ondas. Em Junho voltei do Brasil e depois de um mês já estava farta de Milão, e numa brincadeira entre meus amigos apostei com eles que em poucos meses ia morar em Lisboa. Voltei para casa e comecei olhar os projetos SVE no Portugal, quando vi o projeto de 12 meses do CAF São Vicente como ajudante monitora/animadora falei “Este è meu projeto!”. Em poucas horas tinha enviado a minha candidatura e por fim o resultado foi positivo: ganhei a aposta!





















Quando cheguei a Lisboa fiquei sem palavras, estou descobrindo lugares incríveis e a arquitetura é muito bonita,estou muito feliz por morar aqui! Desde o primero dia que passei no portão da escola em Telheiras tive a sensação de estar no sitío certo. Fui bem recebida e acolhida do supervisor, da equipa de monitores e das crianças.


Os miúdos são  muito carinhosos, curiosos e gosto muito da energia deles. Também acho a equipa de educadores muito importante,  pois sem eles  o CAF não seria o mesmo.



Comecei a ajudar nos treinos de basquetebol/futebol e nos TPC (trabalhos para casa). Sou uma pessoa que adora praticar desporto e nos primeiros dias divertiram-se e brincaram comigo por causa do meu sotaque brasileiro.  Então gostava de ficar com os miúdos a fazer tarefas e assim podia melhorar o meu português. Dia a dia as minhas orelhas acostumaram-se rapidamente a ouvir o sotaque português (as pessoas falavam rápido). 

Entendi melhor as dinâmicas do CAF Vicentix:existem muitas atividades como por exemplo: Eu penso Que; Zumba Cerebral; Descobritix; Contos improvisados; Teatro; Danca; Vela; Canto; Futebol/Basquetebol  e cada quinta há sempre uma saida cultural (Refood,Doc Lisboa,Amadora DB Festival...).



Adoro ter a possibilidade de realizar qualquer ideia que queira realizar. Os colegas  são muito atenciosos, prestativos e partilham os seus projetos , pois existe um espirito de equipa. Gosto muito do dinamismo no Caf. Como sou uma pessoa ecletica, não gosto de rotinas, e assim nunca vou ficar aborrecida.

:) VIVA LISBOA,VIVA O CAF-VICENTIX!



23 novembro 2017

O testemunho do Michał

My name is Michał. I come from the Czech-Polish borderland. I´m very happy because now I´m doing my EVS project here in Lisbon. I appeared here very suddenly. I don´t even know how it happened... I mean, I flew here by plane. I do not think it´s a good way of travelling. I just sat on a plane, which took me to my final destination a few hours later. In this case, it was 3 hours. 3 hours- it´s nothing! Normally in that much time, I'm not even able to get out of the bed after I wake up. And because of the internet, I feel my past/normal life just behind my back. Next time I promise myself to do this road by walking. Or on a bicycle. Just to feel the distance stronger.

Anyway. Now I´m here for more than four months. Unfortunately, after this 4 months being here, I still don´t have any conclusions about Portugal. Cause I had no time to think about it. Just now, when I´m writing this "testemunho", I'm trying to think about it. But it´s too late. So far, so many things happened, that it´s impossible to make some simple conclusion. 
I can say that Portugal is a very nice place. Lisbon as well. People here are nice, the architecture is nice, the food is nice, locals and the prices are nice too. Everything here is so nice, that it´s starting to get mixed together in one uniform mass made from these nice stimuli. It´s confusing, because sometimes I have the impression, that I will not be surprised anymore. But it´s not true! Every time, especially when I have some overwhelming thoughts, something new and unpredictable happens suddenly - which brings fresh air into the atmosphere. It has a very therapeutic effect. By the way, the air here is fresh as well. I appreciate it a lot! Nature and the weather conditions here are the most hospitable I´ve ever experienced. I´m living in an amazing house with amazing people. They don´t give me the opportunity to be bored. It may sound negative, but for now, they´re able to replace my closest people. 

Working in SPIN is such a pleasure! During my travels around Europe, I stayed in many different hostels. I love hostels. It´s a chance to meet a lot of people from all around the world. Here, I finally have the opportunity to observe how the hostels look from the "inside". It´s so interesting to me! Even simple tasks like cleaning the dishes or peeling potatoes became an important experience here. But of course, there is a possibility to work in a more creative way here. 
By the way, I think that Lisbon is a very spiritual place. As soon as I arrived here, I had the feeling, that I already knew this place. It´s because of the atmosphere of this city. It´s so intense, I would say “smooth”. I have the impression that people here, even if they´re not looking at each other too much, they are living in some specific connection. To me it seems like everyone´s aura is a little bit dissolved, so during a contact with someone else's aura, they stick together and then Spin, creating bridges similar to paste glueing between fingers. So in a crowd of it, it´s like a huge colourful spider web made of those connections... 

And I love the way how the time goes by here! Normally, according to the place I have a feeling that time is towing too slow or running too fast. But here I don´t have this stupid feeling. That is amazing, I love this state!

31 outubro 2017

O testemunho da Petra

So what happened since the last time I wrote the testimony?


A lot. New volunteers arrived, some left, then new ones came, I changed appartment, participated on on-arrival and midterm trainings, participated in info session and eurodesk session where I shared my EVS experience with portuguese youth, I led workshop “We are all equal”, I helped in the hostel, I replied on tons of emails, I learnt people how to make gluten free meal, I saw old ladies’ excitement when they renovated their old clothes, I shared Slovenian inventions on Noite Europeia dos Investigadores, I was part of Spin Banca for Sant’Antonio, I painted walls in hostel, I put dishes in and out of dishwasher countless times … 


I also got some visitors, I visited some places in Portugal, I got good moments and I had bad ones too. But this is all life. It really doesn’t make any sense to deny the reality. And at the end you realise you don’t need many things to be happy. All you need is to be true to yourself and others, be calm, have faith and life will show you a way. :) And you need a friend and a dog too. ;) :* :*


Petra Mršnik

24 outubro 2017

O testemunho da Maria

I can’t write much about my EVS experience, yet. After all, this is the first month; I’m still getting used to my new routine, I keep meeting new people, I discover new places every day and I form new habits. In other words, I’m still setting up my reality for the next nine months. 


Like in every beginning, I feel like a child that has been given paints, a brush and an empty canvas to fill it with the colours they want. I’m full of excitement and anticipation, willing to undertake challenges, to create an impact to the society, to see myself grow and improve… I want to develop new skills, learn more about the area of youth work and discover new career prospects. I want to find new passions, learn Portuguese, adopt elements of a new culture and get a fresh perspective. This is an opportunity for me to fill my canvas with colours I haven’t used much before. The other days I heard some EVS volunteer who’s been here for a while already saying that this is the “honeymoon phase” when everything seems exciting and ideal and that later on there will be some moments of crisis along the way. But I’m looking forward to exactly that: the creativeness, the tiredness, the fun, the homesickness, the friendships, the frustration, the laughter, the “nice to meet you”, the goodbyes. It’s all part of the learning process. I don’t know if after my EVS I will know how to write or run a project or if I will be fluent in Portuguese but I’m sure that I will be more self-aware; a better version of myself.


So bring me the paints, the brush and the canvas and I will create a painting to make my life a little more colourful!

O testemunho da Olga

Confesso que nem sei como iniciar este post… Tive uma oportunidade tão única e especial que fica difícil transmitir por palavras tudo o que vivi e senti nestes dias… 
A Área Marinha Protegida onde faço o meu EVS colabora muito activamente com o Centro de Recuperação de Tartarugas Marinhas da Estação Zoológica Anton Dohrn de Nápoles. Para além do trabalho veterinário de recuperação de tartarugas e devolução à natureza, este Centro faz também investigação e dedica-se à identificação de ninhos na região da Campania, protegendo-os e estando presente no momento do nascimento das tartarugas para garantir que elas vão bem para o mar. 
Já no último dia de Agosto eu tinha tido a oportunidade de ir até Palinuro, praia onde está o ninho, para verificar a temperatura da areia e aplicar a fórmula que faz a previsão do dia em que acontece a eclosão. Nesse mesmo dia, uma tartaruga Caretta caretta foi encontrada ali perto e nós transportamo-la até ao Centro.


Falei então com o meu coordenador sobre a hipótese de ir com o pessoal da Estação Zoológica para a eclosão do ninho de tartarugas. A resposta foi positiva e eu parti para aquela que seria uma das aventuras mais lindíssimas vivida até agora em Itália
No dia 14 de Setembro fiz a viagem na carrinha do Centro. Para minha surpresa, três pequenitas viajaram connosco para se libertarem em Palinuro! E foi o que fizemos mal chegamos lá: libertar estes seres tão pequeninos mas tão fortes naquele mar imenso! Que sensação!


Voltamos para a praia e montamos acampamento. A organização Sea Shepherd Itália também estava presente! Suponho que já se estejam a questionar porque não deixamos que tudo isto aconteça naturalmente? Quando as tartarugas nascem deviam seguir o brilho que o mar reflecte. Infelizmente a mão humana encheu a natureza de luzes artificiais e quando elas saem da areia vão na direcção errada e a maioria acaba por morrer… Como não queremos que isso aconteça, ali estávamos nós…


Os dias eram preenchidos com os turnos de vigia (sim, o ninho não ficou sozinho por um minuto!), muita conversa entre todos os presentes e muitos banhos no mar (sim, também aproveitamos o facto de estarmos a viver numa praia!). A falta de conforto não parecia importar, estávamos ali felizes à espera de contribuir de alguma forma para a Natureza que tanto teimamos em destruir…


E eis que dia 19 de Setembro, por volta das 22h se começa a ver um bocadinho de areia a mexer… E sem conseguir explicar, os meus olhos encheram-se de lágrimas! Não sabia como um momento tão fugaz e tão simples podia ser tão belo e tocante! Vê-se depois um bocadinho de uma cabeça negra e puff, uma tartaruga! Que emoção! Passa um bocadinho e eis que surge outra tartaruga… Fantástico! E… um vulcão de tartarugas! Ahaha! 67 tartarugas a emergir da areia ao mesmo tempo! Não havia mais tempo para distracções, este era o momento para o qual estávamos ali! Pesaram-se e mediram-se algumas tartarugas para estudos científicos e depois foi a altura de elas começarem a andar para o mar. Mesmo com um corredor montado e ladeado por plásticos escuros, algumas não seguiam a direcção do mar… Nós ajudamos! E pronto, lá foram elas para a sua jornada… Quanto a nós, resta-nos continuar com os turnos e esperar caso alguma nasça mais tarde…


Como mais nada aconteceu, no dia 22 à noite abriu-se o ninho. O que significa isto? Os responsáveis escavam o ninho para verificar se há alguma tartaruga viva que não tenha sido capaz de sair e para perceber o sucesso da eclosão. Felizmente só lá encontramos 4 ovos que não se tinham desenvolvido o que faz uma taxa de sucesso de 95%! Excelente!


No dia seguinte arrumamos tudo e voltamos à nossa rutina (se é que isso existe num EVS). Estou felicíssima! Obrigada Area Marina Protetta Punta Campanella, Stazione Zoologica Anton Dohrn e Sea Shepherd!


Olga Azevedo

O testemunho da Lucía

Sou Lucía, uma galego-portuguesa em Lisboa. Mais uma vez escrevo sobre o SVE. Gosto de reflectir a minha experiência no blogue para que pessoas interessadas no voluntariado vejam esta grande oportunidade.
Como referi nos artigos anteriores, estou a trabalhar no CAF (Componente de Apoio às Famílias) na Escola Básica de São Vicente, no bairro de Telheiras. Tráta-se dum espaço onde se desenvolvem atividades de ocupação de tempo livre para as crianças do primeiro e segundo ciclo da educação primária.
O meu papel aqui é dar apoio nas actividades rotineiras e saidas, dinamizar actividades, escrever reportagens para o jornal Vicentix (site: vicentix.wordpress.com), assistir às reuniões gerais da equipa, fazer decorações para as diferentes salas e cartazes, participar nas férias e eventos que decorrem no CAF, brincar com as crianças e tentar ser guia no caminho da sua aprendizagem.


Começamos um novo ano letivo com o aumento do número de crianças pelo que tivemos de fazer um horário mais comprido. Actualmente dou aulas de Filosofia dois dias por semana, sessões para o segundo ciclo e para o grupo do terceiro ano. Dispor dum tempinho próprio para fazer as minhas actividades é muito fixe! Além, tenho liberdade para abordar qualquer tema e utilizar os diferentes recursos que há no CAF. Já tenho implementado Filosofia Positiva, Filosofia Ambiental, Filosofia de Investigação Absurda, Filosofia Emocional e Filosofia Alimentar.


Depois de cada sessão é importante repensar e tomar notas sobre possíveis melhoras. Tento pesquisar e elaborar coisas relacionadas com os gostos das crianças para desenvolver actividades estimulantes e divertidas enfocadas nos seus interesses. Por exemplo, na próxima sessão tenho pensado fazer Filosofia Narrativa. Contar histórias através de baralhos de cartas do Dixit e do baralho espanhol. Estou a ver que a fórmula funciona. Acho que gostam!
De forma transversal abordo a educação em valores, o coperativismo e as inteligências múltiples. O objectivo fundamental das minhas sessões é aprender a pensar, mas sempre aprendendo felizes. Sem dúvida alguma, a materia de Filosofia para Crianças devia estar integrada no curriculo de todas as escolas pois é a base para construir o pensamento crítico.
Decorreram já quase oito meses e fico com grande pena porque o meu SVE está quase a terminar. Contudo, continuo com a mesma motivação e ilusão do início.
Sinto-me muito cómoda, valorizada e integrada na equipa Vicentix. Fico agradeçida pela ajuda e boas dicas de cada um dos monitores e do Guerreiro. Também gosto de ver como as crianças confiam em mim, sentir o seu carinho e respeito, ser um apoio para eles quando alguma coisa não está a correr bem.


A nível profissional estou a tirar boas aprendizagens na educação não formal. Ao mesmo tempo, tento contribuir no CAF com a minha bagagem na educaçao formal. Acho que o meu carácter pacífico e tranquilo dão serenidade e organização num ambiente onde às vezes há um bocado de confusão. Existe uma boa conjugação!
A nível pessoal apercebi-me que o voluntariado foi uma espécie de terapia para mim. Estou a ganhar confiança em mim mesma, perder medos e inseguridades. Nunca fiquei arrependida de tirar a licenciatura de professora porque é a minha vocação mas o facto de não encontrar um emprego digno no meu pais magoou a minha auto-estima.
Aproveito a conjuntura para fazer queixa da situação que está a viver a minha geração na Espanha sobre a fuga de cérebros. O Estado inverte na nossa educação e da-nos boa formação. O problema chega depois quando queremos abrir caminho no mundo laboral. As possibilidades de empregabilidade são baixas. Muitos jovens acham uma solução na emigração e procuram opções no estrangeiro. Um exemplo claro é o Serviço de Voluntariado Europeu.
No CAF Vicentix estou a ver que tenho qualidades suficientes para trabalhar na área da educação. Estou com fome de fazer coisas e crescer profissionalmente!
Geralmente sou uma pessoa demasiado perfeccionista e exigente. Neste tempo estou a pôr em practica a espontaneidade. Dei-me conta que nem sempre posso planejar tudo e ter baixo controlo as coisas.
Há duas qualidades que nasceram comigo, mas aqui estou a potencia-las: a responsabilidade e a empatia. As crianças são o nosso futuro, um tesouro que temos que cuidar. Indirectamente formamos parte do seu crescimento e adoro sentir que posso ajuda-las no seu percurso.


Apesar da incerteza sobre o meu futuro, o meu propósito nesta última etapa é aproveitar ao máximo a oportunidade. Só posso tirar coisas positivas do SVE como: aquisição de experiência para o cv, boas amizades e carinho dos miúdos, aprendizagem da língua portuguesa, qualidade de vida e independência...
No anterior artigo tinha dito que gostava muito de Lisboa e já quase era uma alfacinha. Agora tenho que acrescentar mais uma coisa. Estou a curtir tanto do CAF São Vicente que já me sinto uma Vicentix de coração. Obrigado a todos por fazê-lo possível!

O testemunho da Katerina

After I finished my bachelor degree in European Studies, I did not want just continue studying, I needed to experience something different. I wanted to travel, live abroad, learn new things and new language, but in the same time I did not want to lose this year for nothing, I wanted the gap year to be useful for me. When I found EVS opportunity it happened to be the best combination of everything for me. And so in October 2017 I started my journey in Associação Spin for 9 months.


My first weeks here in Lisbon were full of curiosity, exploring and searching for “This is my new home” feeling. Now already after 3 weeks I can say I found it, I am starting to settling down here, feeling very comfortable, having friends and getting to know the good places around. I fell in love with Portuguese culture, food, language, people, history, art and architecture on the first sight.


Until now in Spin we hosted an Erasmus+ youth exchange where I helped with many things and also the administration. I attended six similar Erasmus+ projects in my life, so to be in a new role was very interesting for me. Also I managed to get to know the neighbourhood of Bairro Padre Cruz where Spin is located. Our suburb is famous for the second biggest open-air street art gallery in the world. Now I feel more involved in this community.


For now, I find EVS an opportunity to grow, develop new skills and meet people but I am still at the very beginning of my challenge and I cannot wait for all my future experience, knowledge, challenges, self-growing, start of my Portuguese course, travelling and my on-arrival training course in Guimarães!


27 setembro 2017

O testemunho da Maria

Um ano da vida só parece muito antes de começar. Depois passa em piscar de olhos. A minha experiência SVE está quase a acabar. Valeu a pena? Valeu! 

Antes de chegar ao Portugal, o meu estado podia ser descrito pela letra da música de Peggy Lee “Is that all there is?”

Tinha um bom trabalho, um namorado, uma casa, amigos, mas sentia-me como se constantemente remasse contra a maré. Então, a vida adulta é isso? – perguntava a mim mesma e ficava cada vez mais frustrada. 

Depois vim a Lisboa e... mudou tudo. 

No primeiro momento o sentimento foi de pura felicidade: “O meu Deus, estou aqui, na minha querida cidade de Lisboa!” Foi o sentimento de liberdade, de possibilidades sem fim. Ainda não havia rotina, podia moldar os dias duma forma completamente diferente e conforme as minhas necessidades. 


No segundo momento dei-me conta como mudou a minha atitude em relação às pessoas. A irritação foi substituida pela curiosidade. Não conhecendo todos os códigos culturais, deixei de julgar as pessoas que encontrava na rua, nos meios de transporte, no trabalho. Eram apenas seres humanos, diferentes de mim e por isso interessantes. O meio social, educação, convicções, tudo isso deixou de ter qualquer importância. 

A partir do terceiro momento começou a aprendizagem à sério. Houve altos e baixos, mas sabia que, como cantou Gloria Gaynor, “I will survive”.

Havia momentos quando senti-me mal psicologicamente e fisicamente (malditas mal aquecidas casas portuguesas!). Havia momentos quando voltava da Junta com dores de cabeça de tanto me esforçar para acompanhar longas reuniões sobre assuntos até então desconhecidos. Havia momentos nos quais questionava as minhas maneiras de trabalhar, que até então tinham funcionado para mim, mas neste novo contexto estavam inúteis. E os momentos mais frustrantes eram aqueles em que sentia- me incapaz de me expressar plenamente. A solidão, o sentimento da isolação, a superficialidade de contatos, tudo isso faz parte da experiência SVE. E tem também as suas consequências físicas. A maioria dos voluntários ao passar pela inevitável crise psicológica, luta também contra o seu próprio corpo (que reage duma forma violenta contra as mudanças do clima, novos habitos alimentares, etc.) 


Felizmente a experiência SVE não é só doenças e mal estar. O corpo cura com o tempo à medida que se descobre novos modos de pensar, novas maneiras de resolver problemas, de trabalhar, de se comunicar e, pouco a pouco, cria-se novos laços, novas amizades, novos costumes. 

Quais então são as minhas conquistas deste ano? Tendo como coordenador o Eduardo, Técnico do Gabinete de Desporto e Juventude, sempre cheio de trabalho, decidi ser a mais independente possível. E isso soube-me muito bem. Criou-se entre nós um sentimento de confiança, do reconhecimento, do entendimento que fez me acreditar mais em mim própria e enfrentar com sucesso os novos desafios. O Eduardo reconheceu logo a minha área de interesse e estimulou o meu desenvolvimento. Ao mesmo tempo dou-me muita liberdade que fez o processo de aprendizagem muito mais agradável. Graças a sua atitude não tinha medo de cometer erros e propor coisas que, provavelmente, muitas vezes não faziam muito sentido. 

Os meus problemas com a coluna passaram a ser mais uma lição. Ao acabar o meu SVE vou a ginásio pelo menos 3 vezes por semana e faço regularmente exercícios em casa. Descobri também meditação que ajudou-me imenso em lidar com o estresse e pus todas as experiências numa perspectiva. Volto a Polónia mais calma, mais independente, mais contente comigo mesma e mais em paz com o mundo ao redor. Volto como um “vencedor”. ;)


Neste textinho falei só de mim mesma, mas o SVE não é uma experiência solidária, muito pelo contrário. São as pessoas de cá (outros voluntários, mentores, coordenadores, a equipa da Spin, a equipa da Junta de Freguesia, moradores de Carnide, treinadores de cursos de chagada e mid-term, desconhecidos encontrados aqui e ali – dezenas de nomes que eu não vou enumerar por ter medo de me esquecer de alguém) que me apoiaram neste processo de descobreta e de autoconhecimento. Sem cada um de vocês, a minha experiência não seria tão enriquecedora. À todos que encontrei pelo caminho dedico esta famosissima canção polaca de Czesław Niemen “Sen o Warszawie/Sonho sobreVarsóvia”. Obrigada por terem-me acolhido. Agora é a vossa vez! Venham a minha terra, estou lá a vossa espera!

Tradução: 
“Sonho sobre Varsóvia” 
(…) Se quiseres ver 
Vístula ao nascer do sol, 
Parte comigo hoje para lá. 
Vais ver com os teus olhos 
como Varsóvia 
nos acolherá. 

Eu como tu, 
Tenho a minha cidade, e nela 
O meu mundo mais belo, 
Os dias mais bonitos, 
Deixei ali os meus sonhos coloridos (...).

O testemunho da Giorgia

Olá malta, chamo-me Giorgia, sou umas das pessoas sortudas que teve a possibilidade de fazer o seu SVE em Lisboa e de passar o melhor ano da minha vida aì :)


O meu projeto foi “Make a Move”, um projeto que me permetiu de trabalhar em uma creche, mais especificamente em “Crescer a Cores- Associação de Solidariedade Social” (em Bairro Padre Cruz, um bairro social), o seja em uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), de intervenção na área da Psicologia, da Educação, Social e da Saúde, que tem como objetivo os cuidados e a educação de infância dos 4 aos 36 meses. 


Como sou uma Educadora, este projeto deu me a oportunidade de ver e conhecer novos métodos e formas de educação em comparação com aqueles usados em Italia. Inicialmente, tenho que dizer a verdade, não foi muito fácil adaptar-se e integrar-se na equipe do trabalho, màs com paciência, com mais conhecimento mês após mês do idioma, adaptando-me à situação, màs mais em cima de todo com a ajuda de Diana, (amiga, colega, companheira de aventuras/desaventuras no trabalho, e voluntaria no creche ela tambèm), todo foi melhor.


Antes de chegar aì foi super sustrada, porquè teve que crear uma nova vida, em um lugar novo, com um idioma novo, conheçer novas pessoas, etc etc màs todo correu super bem e gostaria de repetir essa experiência mais uma vez, porquè LIsboa e isso SVE me deram a possibilidade de conheçer mim mesma, novas culturas, novos lugares (isso graças a mil viagens que fez ;P ) ... 


... e de crear-me amizades super fortes com pessoas de todo o mundo :) 


Acho que um testamunho o algumas palavras não podem descrever todas as emoções, as alegrias, o “simplesmente” o meu Sve, màs acho também que as palavras que mais podem dizer o que foi essa experiência são: Partilhar, ser despreocupado, felicidade, amizade, sorrisos e viagens. 


E então, posso sò dizer que foi a experiência melhor da minha vida e que gostaria que isso nunca tenha terminado.

Atè jà Lisboa querida. 
Gigi :)

O testemunho da Diana

Tenho que dizer que eu nunca sonhei com ir a Lisboa. Sim com falar português (obrigada a Aneta e o Marco por isso!), mas nunca em particular com Lisboa. Mas cheguei lá há um ano, com uma mala gigante, sem saber que Lisboa chama-se, como Roma, a Cidade das Sete Colinas por um motivo. Naquela altura ainda não tinha ideia que a cidade da que eu conhecia tão pouco mudaria minha vida.


Mas esta história do meu percurso não teria sido a mesma sem o meu projeto, que a verdade, foi a coisa pela que queria fazer o evs no primeiro momento. A ideia de ajudar numa creche num bairro social sim era um sonho meu mas a verdade, estava a espera de que fosse duro, mas nunca pensei que fosse tão duro! E também não tinha ideia de quanto amor era o troco por tanto esforço. Acho que nunca di tantos beijos e abraços como a issas crianças e graças ao amor que eles deram-me, sinto que sou agora uma pessoa melhor do que a que chegou a Lisboa há um ano. Aprendi a ser mais paciente, que se falas baixo ouvem mais, que as palavras de amor sempre são o melhor remédio e que um abraço sincero é sempre o melhor conforto. Coisas que parecem óbvias quando estão escritas mas que os adultos esquecem facilmente por causa da rotina.


Eles tão pequenos e sem saber mudaram a minha pessoa como nada fez antes e eu já sei, tenho certeza, que no próximo ano vou me perguntar muitas vezes como estão os meus meninxs porque há um ano havia nomes que não significavam nada para mim e que agora significam tudo: Vicente, Gustavo, Constança, Yuri, Miguel, Luciana, Leandro, Santiago, Melissa, Vitoria, Benedita, Diogo F., Diogo C. e Margarida. Eles eles vão me esquecer logo mas eu já nunca esquecerei deles.


Também num ano só tive a oportunidade de conhecer mais pessoas das que posso contar. Pessoas de todo lugar do mundo mas todas com um imenso desejo de aprender e cheios de vida ao máximo sem importar idades, línguas ou as nacionalidades. Mas principalmente neste tópico, duas coisas aconteceram. Primeiro que tive a sorte de morar com umas pessoas que mais que colegas de casa foram a minha família. Gente de todo lugar, diferentes todos, sem tão sequer falar a mesma língua ao começo, mas gente que foram sempre lá : para os momentos bons, as festas, os sorrisos, o cantar Despacito por a casa toda, ver RauPaul...qualquer coisa! E ainda mais difícil, gente que ficou a partilhar as lágrimas, as dúvidas, os medos e em geral todo o que fica quando a festa (e o vinho) acaba. Eles foram a minha sorte maior e ainda não consigo encontrar palavras para agradecer por terem aberto as portas das suas vidas para mim. Sinto-me a pessoa com mais sorte do mundo por isto.


E claramente não posso falar de pessoas lindas e não falar dos trainings. Sim, os trainings, essa coisa que quando chegas, não interessa quantas vezes perguntas ou a quem, ninguém sabe dizer exatamente o que é que é, mas acredita, é uma das experiências mais lindas de viver num evs. É cansativo e as vezes aborrecido mas também é divertido, intenso e incrível. E se como eu, tems a sorte de ficar em duas cidades maravilhosas (Braga e Guimarães) e com um grupo de gente maluca com o qual rir até ter dor de barriga e dançar até não te levantar, não se pode pedir mais. Lá encontrei amigos e sentimos-nos uma equipa, mesmo que fosse por alguns dias, não interessa. Talvez não tenha visto a muitos deles novamente depois daquilo, mas eles todos já ficaram com um bocado do meu coração por ter vivida essa experiência tão linda juntos.


E depois, está Lisboa. Cheguei alí sem esperar nada e deu-me todo. Sei que um bocado de mim fica na aquelas ruas para sempre, um bocado de mim que sem duvida vai fazer-me voltar mais uma vez. Lisboa, que é moderna e antiga, feliz e triste, tantas coisas juntas e diferentes que é simplemente mágica. Não deixa opções, ficas apaixonado antes de ter tempo de questioná-lo.


Mas, olha, não te enganes. Parece assim que foi tudo perfeito. Estava perto sim, mas, não, não foi, como nada na vida. E isso também é bom, porque tudo acontece por uma razão e em tudo, bom ou mau, há uma lição a aprender e eu, este ano aprendi muito. Porque isso é o que acontece quando deixamos a nossas zonas de conforto, que arriscas todo mas podes aprender muito e podes ganhar coisas que nem imaginas. Então, arrisca, não deixes o medo falar por ti porque sem saber, podes estar a dar o primeiro passo para viver uma aventura. Porque sem saber, podes acabar vivendo, como eu, o melhor ano da tua vida.