12 março 2014

Já cheira a Primavera em Lisboa - Testemunho da Marta

Já cheira a Primavera em Lisboa.

Faz um dia maravilhoso como no dia que eu cheguei aquí há 6 meses para trabalhar como voluntária no Cineclube de Telheiras. 

Tudo aconteceu muito rápido, não acredito que já termine esta experiência incrível. 

Penso em todas as pessoas que eu conheci, tudo o que aprendi sobre Portugal e os portugueses, aprendi uma nova língua, aprendi sobre novas culturas e despertaram-se novos intereses.

Eu mais o meu amigo Johan, voluntário da França, organizamos os grandes eventos que aconteciam no Cineclube.

O cinema é a minha paixão e gostei inmenso de participar de um projeto como este.

Aprendimos muito da cultura portuguesa junto com os nossos chefes o Pedro e a Helena, o mesmo tempo que vivemos muitos momentos divertidos. 

Agradeço a eles e a todas as pessoas que encontrei pelo caminho a calorosa acolhida que recebi.

Após esta experiencia sinto que ainda tenho muitas coisas para descobrir em Portugal e Lisboa é uma cidade que tem muitas coisas para oferecer, assim vou aproveitar os próximos meses para viajar e desfrutar um pouco mais do que foi esta grande aventura. 

Estou muito contente por ter tido esta oportunidade e levo comigo ótimas lembranças que nunca esquecerei.


Marta Gárcia

10 março 2014

Testemunho do Luis Santos - Leonardo da Vinci em Lyon, França 

Um novo país, uma nova cidade, uma nova lingua.
Tudo é novo e diferente. 
« Primeiro estranha-se depois entranha-se ». 

Antes da partida, a euforia e a expectativa. Com a chegada a Lyon a concretização de um sonho tornado realidade. 

Viver no estrangeiro e ter uma experiencia profissional internacional aconteceu graças ao programa Leonardo da Vinci! A adaptação a um novo país requer tempo. A flexibilidade e a adaptabilidade a um novo ambiente de trabalho devem pautar a nossa experiência. Definir um plano de estágio de acordo com o nosso perfil, estudos e experiência profissional é vital !

A cada descoberta, um sentimento revigorante e a vontade de partilhar este momento com os que estão longe.

Vale-nos a objectiva para imortalizar o momento.

Aqueles que ponderam candidatar-se, deixo-vos uma mensagem de esperança, optimismo, determinação e energia.

Com a promessa de que em cada recanto das terras gaulesas vão encontrar um pedaço de história, um bife sublime para apreciar e uma carta de vinhos diversificada para degustar.

Despeço-me com a garantia de muito em breve dar-vos mais detalhes sobre esta minha jornada que ja mudou e vai mudar mais « qualquer coisa » na minha vida .

A bientôt ! 

Luis Santos

Testemunho de Lídia Nicolau: Bienvenues à Lyon

As primeiras semanas passaram num piscar de olhos. As duas primeiras foram ocupadas com as aulas de Francês. E na terceira semana começou o estágio. Antes de sair de Portugal, a curiosidade e as expetativas são muitas. É importante definir objetivos pessoais e profissionais mas também estar consciente que nem tudo será como imaginámos.

Para além da adaptação a um novo país, ficar a viver com uma família de acolhimento também é uma novidade. Mais do que companhia, o fundamental tem sido o acompanhamento numa nova cidade. Algo tão simples como mostrar onde fica o supermercado mais próximo ou emprestar um computador portátil porque o meu tem um problema no monitor são pequenos gestos que fazem diferença.

Determinadas situações em Portugal ganham uma dimensão ampliada quando estamos fora da nossa zona de conforto. Ir às compras é uma tarefa mais demorada, uma ligeira dor de garganta pode ser assustadora e escolher a refeição certa nos tradicionais restaurantes bouchons ou nos bistros é um desafio.

Estar num país onde não se compreende totalmente a língua é uma alavanca para que certas situações se tornem em tarefas árduas. Logo, as peripécias são algumas. A mais recente foi o aluguer de uma bicicleta. Em Lyon foi criado um sistema inovador de empréstimo de vélos. 

Na cidade existem 365 postos onde se levar emprestada uma bicicleta. Conseguir pagar o “empréstimo” revelou-se uma missão demorada. Para um dia o valor do aluguer é 1,5€ e o valor da caução é de 150€. Conseguir perceber esta simples informação só foi possivel com ajuda e paciência de um monsieur.

Até agora, os lyonnais têm se mostrado pessoas simpáticas, agradáveis e prestáveis.

Parece que dizem “bonjour” a sorrir e quando ouvem falar outra língua perguntam de onde somos, porque estamos em Lyon e como está a situação em Portugal. E confirma-se que regressam a casa com as tradicionais baguetes na mão.

Pode parecer estranho estar a escrever no plural mas o programa Leonardo da Vinci para Lyon incluía duas vagas. Viajar para um país estrangeiro na companhia de um colega (ou melhor, de um amigo) confere bastante segurança e apoio em todo o processo de adaptação. Porém, as palavras de ordem são sempre motivação,  flexibilidade  e vontade de aproveitar este desafio.

Parece que ainda mal conheço a cidade e tudo o que tem para oferecer. Mas, por outro lado, já não me sinto perdida e nem tenho de perguntar constantemente as direções seja para onde for. Lyon já é a minha cidade e já me conquistou. É uma cidade cosmopolita, movimentada, grande e convidativa. E que ao mesmo tempo sabe ser tranquila e marcar o seu ritmo. As boulangeries e as patisseries sao sítios deliciosos e as suas montras são minuciosamente decoradas. Existem vários quiosques de floristas que dão às ruas um bonito colorido.  Em dias de sol e céu azul, as esplanadas e os jardins enchem-se de pessoas. Aos domingos quase todo o comércio (incluindo os maiores centros comercais) fecha as portas. Talvez por isso aqui em Lyon, quase todos os espaços publicos fiquem repletos de gente.

Com exceção de duas colinas, Fourvière e Croix-Rousse, a cidade é plana. Para além das bicicletas, quase tudo o que tem rodas serve como meio de transporte. Patins, monociclos, skates e trotinetes. Saltos altos e gravatas combinam na perfeição com estes meios de mobilidade. Crianças que ainda mal sabem andar já são habilidosas patinadoras.

No entanto, Lyon dispõe de uma ótima rede de transportes públicos que cobre toda a cidade. Por exemplo, nas linhas mais movimentadas nas horas de ponta, o metro passa de dois em dois minutos. E aqui, o passe para os transportes públicos custa 5 euros e fica pronto na hora.

Um dos meus objetivos é ficar a conhecer bem a cidade de Lyon. Alguns dos pontos incontornáveis são a Place Bellecour (a maior da cidade e uma das maiores da Europa), passear junto dos rios Saône e Rhône qua atravessam a cidade e lhe conferem um encanto singular, apreciar as grandes paredes pintadas com recurso à técnica trompe l'oeil, visitar alguns dos muitos museus, passear nos 117ha do Parc de la Tête d'Or (um dos maiores de França), explorar os mercados ao ar-livre que acontecem aos fins de semana de manhã, atravessar Vieux Lyon (e passar pelos traboules – passagens secretas nos prédios) para chegar a Fourvière e ter a vista panorâmica mais deslumbrante da cidade.
Ver o anoitecer sobre a cidade no seu ponto mais alto é uma imagem que nunca vou esquecer.

E ainda há tanto para descobrir aqui. Daqui a pouco tempo espero sentir-me como uma local mas olhar para Lyon como uma criança olha para um brinquedo novo.

Lídia Nicolau

13 fevereiro 2014

Os primeiros dias de SVE na Spin - Álvaro


“Lisboa é, em qualquer caso, uma cidade admirável, lenta, uma cidade que sempre está de olho em outra parte. Como uma criança que esta a mirar da coberta de um barco. Como alguém a segurar uma carta antes de botar a carta no correio, algo que ainda está aqui e ao mesmo tempo fica muito longe...  por alguma razão, em Lisboa, pensa-se em coisas que não fazem sentido fora de Lisboa.”  Ray Loriga


Sou o Álvaro, o novo voluntario de Sevilha (Espanha) na Spin. Eu já estive em Lisboa a fazer o meu Erasmus em 2010, e fiquei com saudades de esta cidade até o dia que voltei. Quando eu encontrei o projecto Spin Age eu percebi que poderia alcançar vários dos meus objectivos: regressar a Lisboa, conhecer pessoas de lugares diferentes e meu objectivo profissional, que é desenvolver projectos sociais com comunidades multi culturais. Candidatei e consegui a vaga.

O meu viagem para Lisboa foi muito giro, o avião era muito pequeno (de facto, o autocarro que leva para o avião era maior). Quando cheguei, o Enric estava a esperar-me para ir juntos à minha nova casa. Antes que o metro chegara a Anjos o Enric e eu já tínhamos criado amizade. Pouco a pouco aconteceu o mesmo com os meus companheiros de casa e da Spin.
Meu primeiro dia na Spin

O clima de equipa na Spin é muito bom e os objectivos da associação concordam com os meus objectivos. Acho que vamos fazer grandes projectos juntos.

Durante o tempo que eu estive a esperar para vir as minhas expectativas estavam a crescer. Agora que estou na Spin a escrever este testemunho acho que não tenho nenhum motivo para não continuar a crescer.

Álvaro Ávila

12 fevereiro 2014

Fim do SVE da Clarissa na Letónia

Atā (See you later) Latvia!
After my on-arrival post and mid-term post, here I am writing my final post about my 9-month EVS project in Alūksne, Latvia. It is quite hard for me to summarize this Baltic experience, because 9 months are not 9 days, therefore I'll always forget something worthy of mentioning.

When I arrived there, the Latvian language sounded weird to me, as I could not relate it with any other known language. After a while, it is hard to believe that hearing Latvian was really pleasant and not weird at all!

Every time I think about Latvia I smile. It is a country with only 2 million of inhabitants (only 62% Latvians), proud of their language and heritage. Nowadays Latvia is struggling with citizenship issues, one of them is their language as there are, for example, a lot of people that have the Russian language as their mother tongue. One thing about Latvian people, is that they may not greet each other like we do, but are always ready to help, even when they don't know any English whatsoever (this is similar to Portugal).


 A weekend visit to my flat in Alūksne.
Furthermore in Latvia I had opportunity to see pure nature,untouched landscapes, and they are beautiful, they transmit both a feeling of belonging and peace. Since I can remember I always enjoyed noticing life details, but sometimes I was so busy with all my must-to-do stuff, that I hardly paid attention to little things. Alūksne is all about that: a little town welcoming you in every corner, and inviting you to take a closer look at it. In relation to my favourite things in the town, they are the little train (Bānītis), the Aiolos Temple (picture below) and the Aluksne's Lake.

The Aiolos Temple – front view
Specifically in my EVS project I had the chance to go beyond the assigned tasks. I did several cultural events, related with cinema, animation and music, to name a few. The posts about those events are in this blog (mine are all with “| clari”). I guess the most important thing I did there was the show “EVS pagalmā Tas viss ir par cilvēkiem It's all about people” at Alūksne's New Castle Museum. In this show there were 6 collaborative projects I developed with the local community, namely:

  (1) Alūksnes mīļākā lieta | The Aluksne favourite thing

  (3) Nevizuāls eksperiments | Non-visual experiment

  (4) Acumirkļa grāmatas no Alūksnes | Instant books from Aluksne

  (5) No Al līdz Gmr | From Al to Gmr


In general I'd recommend EVS to everyone, because despite of all the difficulties and problems I encountered on the way, I always focused myself on the good things. All I did there, I did it for and with the people, in order to offer them brand new experiences. Of course I made mistakes, while trying to achieve that. The must-to-do though is to keep motivated no matter what. EVS makes every individual grow as a person and it is healthy to leave the comfort zone. To do that is a big step, it can be hard, but life itself in not easy at all ^^

p.s. Recently I did this about section in the blog, if you are an EVS, feel free to do the same :) also I did the methods of some projects/activities using diagrams with apples and apple trees.

Clarissa

Os primeiros dias de SVE na Spin - Zofia

Há cinco anos sonhei com aprender espanhol. Sonhei com viajar pela América do Sul. Decidi entrar no curso da Filologia Ibérica. 
Em resultado, encontrei-me pela primeira vez com a língua portuguesa (antes conhecia só a [música] Lambada). E enamorei-me por ela. Tive cada vez mais interesse pela língua e pelo mundo lusófono. 

Já depois do segundo ano dos estudos ibéricos consegui ir para a Península Ibérica e trabalhar como voluntária nos albergues de peregrinos pelo caminho de Santiago. Passei duas semanas numa aldeia perto do Porto e gostei muito desta experiência. Sabia que ia voltar a Portugal para ficar cá mais tempo. Entretanto, surgiu a oportunidade de fazer estágio em Sevilha. Fi-lo. 

Depois, como já tinha participado no programa Erasmus, procurei outras oportunidades. Deste modo, descobri o programa SVE e comecei a procurar um projeto para mim. Sabia que queria ir para Portugal e trabalhar com outros jovens num ambiente internacional. Encontrei a página da Spin e candidatei-me ao projeto SPIN AGE. Tive sorte. Aceitaram-me e aqui estou e não me vou mudar durante os próximos nove meses!

No dia da minha partida o céu em Varsóvia estava mesmo azul. Não se via nenhuma nuvem. O sol fazia com que a temperaturas fossem mais agradáveis. 

Lisboa cumprimentou-me com o céu cinzento e com a chuva… Mas também me cumprimentou com o sorriso do Enric que veio buscar-me ao aeroporto e com as boas-vindas do resto dos meus companheiros de apartamento. Desfiz as malas e fui dormir para entrar no trabalho cheia de energia. 

No dia seguinte acordei a 3500 km de casa e pela primeira vez fui à sede da Spin. Já na estação do metro conheci os meus colegas de trabalho. A Maja mostrou-me o bairro. Depois vieram as nossas chefes – a Sara e a Aneta. Logo apareceram os voluntários que trabalham noutras associações em Carnide e almoçámos todos juntos no hostel, numa atmosfera familiar. Tivémos também uma reunião para planear o nosso trabalho dos dias seguintes. 

No final, tivemos a aula de português, durante a qual conheci ainda mais voluntários. Todos me trataram- muito bem. Desde o início, senti-me em casa na Spin. 

Espero que tudo continue assim :)

Zofia Gajos

05 fevereiro 2014

Estágio Internacional: a Lídia de partida para Lyon

(*) Gosto muito de você… Lyon

Vou deixar para trás a família, o namorado, os amigos. Não vou estar presente em algumas datas especiais. Mas também vou deixar para trás o desemprego, a resposta constante a ofertas de emprego e as ofertas de estágio por 150 euros. 

Mas não se pense que vou ‘obrigada’, como tem acontecido com milhares de portugueses que têm abandonado o país. É uma experiência que há muito quero ter! Vou participar num estágio Leonardo da Vinci que me vai permitir uma experiência profissional internacional. Pela frente, um novo país, uma nova cidade e uma nova língua. Lyon vai ser a minha cidade durante quase três meses. Vai ser um desafio e uma oportunidade única! As datas já estão definidas. Ida a 3 de fevereiro e regresso a 21 de abril. Ainda não sei onde e como vai ser o meu alojamento. O local de estágio já está decidido. 

Os sentimentos são mistos e confusos. Têm um sabor agridoce. Por um lado, estou tão contente por ter sido uma das escolhidas para participar neste programa europeu e satisfeita pelo sítio onde vou estagiar. Por outro, quando regressar a Portugal (quase) tudo vai voltar ao mesmo: a missão diária de enviar CVs com o objetivo único de conseguir um trabalho.

Mas por agora vou concentrar-me em Lyon! Quero conhecer a cidade. Passear a pé, ir às pâtisserie e às boulangeries, deliciar-me com a gastronomia francesa. E voltar de Lyon a falar fluentemente francês! 


Vou deixar a minha zona de conforto, o meu país, a minha cidade, a minha casa. Será que vale a pena? Sim, sem dúvida e com toda a certeza! Vale sempre a pena não ficar. É sempre melhor ir. Conhecer, descobrir, experimentar. Voltar a Portugal/casa com outras perspetivas é sempre enriquecedor. Poder comparar a nossa realidade com a de outro país da União Europeia, aqui tão próximo, a menos de três horas de avião, vai melhorar-me enquanto pessoa. 

Para já, começam os preparativos para a viagem! Como se prepara uma mala para uma estadia de três meses? A validade do Cartão de Cidadão está em dia? São cobradas taxas pelos bancos? Quais são os pontos turísticos a não perder em Lyon? E aqueles locais desconhecidos e encantadores ao mesmo tempo? Sou apenas mais uma jovem (com quase 30 anos ainda posso ser considerada jovem ?) que vai deixar temporariamente o seu país. Mas afinal todos os que são ‘apenas mais um’ são muito mais do que isso! 

E esta vai ser a minha viagem, a minha experiência e o meu desafio em Lyon. Talvez a família, o namorado e os amigos não fiquem para trás. Estas crónicas, o Facebook, o Skype e o telemóvel vão ajudar a encurtar a distância! O namorado já marcou a viagem, a mana ainda está indecisa quanto às datas. As SMS de amigos diziam “Estou mesmo contente por ti, estava a precisar de uma boa notícia!!!” e “Deste-me a melhor notícia dos últimos tempos! Je suis très contente pour toi!”


(*) Texto publicado originalmente no P3 a 23/01/2012.

A Lídia Nicolau é licenciada em Jornalismo e acabou de partir para um estágio profissional internacional com financiamento do Programa Leonardo da Vinci através da SPIN.