30 junho 2014

Testemunho da Rute - estagiária LdV

O meu nome é Rute e sou da Covilhã, uma cidade situada a sudoeste da Serra da Estrela, em Portugal. Tive uma experiência anterior no estrangeiro, em Paris, onde vivi e trabalhei durante três meses. E agora, em Granada! E não podia estar mais feliz.

A cidade é maravilhosa, muito caliente e ativa, sempre algo acontecer, o que faz com que o tempo passe sem que se dê conta dele.

Nos dias 14 a 21, celebrou-se o Corpus Christi, o que sigifica Festa, muita festa e alegria por toda a cidade, um ambiente contagiante. Foi fantático!


As semanas foram também dedicadas ao estudo do Espanhol, com a encantadora professora Sara. E claro, conhecer o local de estágio, no meu caso, a MEP Granada, onde fui muito bem recebida e acolhida.

Com a MEP conheci Córdoba e a praia de Salobreña, cidades pertencentes à comunidade autónoma da Andaluzia, e Gibraltar, onde acompanhamos grupos estrangeiros, de estudantes e os seus professores em diferentes atividades. :)

Praia de Salobreña
Gibraltar













Córdoba

Está a ser uma aventura muito muito especial. Gracias SPIN!

Rute Baptista

16 junho 2014

Os primeiros dias de SVE na Spin - Emilio

Olá Lisboa!

Sou o Emilio, espanhol, de Vigo, Galiza, mas morei noutras cidades como Ourense, Madrid (oito anos), Londres, e agora aqui estou, em Lisboa, com nove meses para fazer mil coisas.

Numa semana já me aconteceram muitas experiências, todas boas e um acidente familiar que me obrigou a retornar a Espanha  alguns dias assim que agora acho que sim posso começar realmente.

Moro numa casa grande, com vários polacos, um francês, uma alemã... e o mais importante: perto do centro da cidade e de todas as coisas que preciso. A Mouraria, o Barrio Alto, Alfama, não ficam longe.


O ambiente no meu novo trabalho acho é muito agradável. Pessoas jovens com as que me identifico. É muito diferente ao meu último trabalho em Espanha.

Eu sou jornalista e principalmente tenho trabalhado nesta área mas o mundo da comunicação é tão amplio que sempre se pode trabalhar com ela em diferentes perspectivas. Ainda não sei todas as funções que vou a fazer mais seguro que posso contribuir em algo. O meu objetivo é aproveitar a experiência, trabalhar numa área diferente e gostar do que faço.

O último fim de semana foram as festas dos santos populares assim que não poderia ter melhor momento para conhecer esta cidade incrível.



Emilio

Os primeiros dias de SVE na Spin - Kasia

Eu sou a Kasia e eu sou a nova voluntária na Associação Spin. Sou da Polónia. Vivo em Minsk Mazowiecki, pequena cidade perto de Varsóvia. Eu estive em Portugal quatro vezes, mas cada vez não mais de que 7 dias. No início quero-me desculpar a todos pelo nível de português mas falo Português muito pequenino...

A primeira vez que eu fui em Portugal, eu estive em São Miguel, Açores – há quatro anos atrás e... eu amo-lá. O clima português, arquitetura, língua, pessoas e tudo estiveram e... ainda são muito bonitos e encantadores para mim. Na segunda vez que eu estive em Lisboa eu decidi que eu quero fazer o meu SVE em Portugal, de preferência em Lisboa. Escrevi para muitas associações e organizações, mas muito tempo tive dificuldades em conseguir a vaga.


Finalmente em Agosto de 2013 eu recebi informações que quatro organizações portuguesas pensaram em aceitar-me para ser SVE deles. Eu escolhi a Associação Spin.

Por que eu escolhi a Spin? Porque eu vi que a Spin faz muitas coisas diferentes e isto é muito fixe. Eu sou voluntária por todo minha vida e eu quero desenvolver competências profissionais em áreas que Spin faz. Antes de vir aqui eu estive muito stressada. Nunca morei no estrangeiro e 9 meses é muito tempo. Agora eu vejo que pessoas na Spin são óptimas, morar fora da Polónia não é medo e Lisboa e tão bonita que eu penso ela é. Estou muito contente que eu sou aqui.

Kasia Perzanowska


05 maio 2014

Testemunho final do Luís - estagiário LdV


Há vezes que gostava de ser poeta para que a minha escrita fosse a replica mais fidedigna daquilo que os meus olhos viram. Escrevo-vos de Lyon, estou de partida, mas ainda estou no Grand Parc Miribel Jonage, um parque gigante, denso e penetrante com um lago calmo e tranquilo. Recanto espiritual que não vêem nos grandes roteiros turísticos, mas que encanta pela sua vastidão e espaços verdes. Hoje, o lago esta mais azul, será do reflexo do sol, ou do brilho dos meus olhos. 

É de facto, com um brilhozinho nos olhos que me despeço de Lyon, de Franca, mas sei que será um até breve, a cidade, o país conquistaram-me pela qualidade de vida, pela amabilidade das pessoas e pelas oportunidades que oferecem. Tudo o que direi neste testemunho poderá parecer cliché, mas a verdade é que para mim esta foi uma jornada de aprendizagem, crescimento e amadurecimento. Desde a gestão de emoções à gestão do nosso budget para fazer as compras no supermercado, tudo contribuiu para o nosso processo de aprendizagem.


Não me vou alongar muito mais, porque não consigo fazer uma selecção breve dos aspectos mais positivos na vida em Lyon, desde a gastronomia, as pessoas, a história da cidade, as vistas panorâmicas que descobrimos, as pessoas estrangeiras que conhecemos, a gentileza e a amabilidade da minha família de acolhimento...e porque tudo para ser sentido terá que ser vivido, deixo-vos na dúvida e na expectativa. E lembrem-se que o vosso colega de experiência LdV devera tornar-se vosso amigo. Com a Lídia, solidificamos a nossa relação, foi um porto seguro e ajudamo-nos mutuamente, por isso, invistam nas relações humanas porque são as mais poderosas e duradoiras.

Não posso deixar de fazer uma nota muito sentida à SPIN, em particular à Sara, por todo o apoio e afecto que tornaram o sonho de viver no estrangeiro e ter uma experiência profissional internacional uma realidade, bem como, a Inter Echange (organização intermediaria e a entidade de acolhimento).

A + (a bientôt)
Luis Santos


À bientôt Lyon - testemunho da Lídia, estagiária LdV

Resumir e fazer um balanço do estágio Leonardo da Vinci e de toda a experiência em França de apenas dez semanas não é fácil. Por um lado, o tempo passou num piscar de olhos. Por outro lado, é como se estivesse lá estado muito mais tempo e cada semana equivalesse a um mês. Foi um desafio intenso!


Nos últimos dias em Lyon houve uma pergunta que se tornou frequente: estás contente por regressar a Portugal? A minha resposta não variava muito. Estava bastante contente por se estar a aproximar o dia em que regressava para casa e voltava a abraçar todas as pessoas importantes. Mas, ao mesmo tempo sentia-me triste por já ter de deixar Lyon. Como é que o tempo passou tão depressa? E agora, depois de alguns dias em Portugal, este misto de sentimentos mantém-se. Sinto-me tão feliz por estar perto de todas as pessoas que são essenciais à minha vida mas ao mesmo tempo já tenho tantas saudades de Lyon, da sua dinâmica, do movimento e do estilo de vida daquela cidade, de ouvir francês nas ruas e, claro, das pessoas que lá ficaram. As amizades que se criam e os laços que se estabelecem fora do nosso país em tão pouco tempo são fundamentais para tornar este desafio num dos melhores da nossa vida.


Como se pode adivinhar, o balanço final é muito positivo. Não hesitaria em embarcar noutra aventura deste género. Quando se parte para o estrangeiro (mesmo que por um curto período de tempo e com as questões burocráticas e práticas organizadas pelas associações portuguesa e francesa), é inevitável que essa experiência nos torne pessoas melhores, mais atentas ao multiculturalismo e à globalização e que nos torne pessoas mais fortes, determinadas e motivadas. Ir para outro país estudar, estagiar ou trabalhar assemelha-se em muito pouco em ir de férias para fora. E, na minha opinião, é muitas vezes melhor. Não é tudo perfeito nem cor de rosa mas os aspetos positivos superam em muito os menos positivos. Aprende-se a relativizar determinadas situações e a valorizar outras (o que julgo que não acontece quando estamos na nossa zona de conforto).

Depois de desfazer as malas, dar uma vista de olhos nas fotografias e oferecer alguns souvenirs, fica o dever de missão cumprida e de satisfação por ter chegado ao fim esta etapa. É com orgulho que agora aqui em Portugal vejo o site da minha entidade de estágio – um centro de investigação – a divulgar os textos que traduzi para português com o objetivo criar pontes com o mundo lusófono bem como os vídeos de apresentação dos investigadores no YouTube.


Deve-se ou não voltar aos lugares onde já fomos felizes? Não tenho a certeza quanto à resposta. Mas estou certa que quero voltar a Lyon. De preferência, quando estiver em palco o Festival Nuits Sonores (entre final de maio e início de junho) e durante a Fête des Lumières (início de dezembro). Mas claro que, por inúmeros motivos, Lyon merece uma visita demorada em qualquer altura do ano. Até breve, Lyon!

Lídia Nicolau


14 abril 2014

SVE em La Zubia - Testemunho da Mara

Hola, qué tal? :D

Há um mês atrás estava de malas feitas, e mochila às costas para começar esta nova estapa, o desafio do SVE, sem dúvida uma das minhas melhores decisões na vida. Mais do que um desafio, todos os dias vivo uma experiência, todos os dias tenho uma aprendizagem.

Vivo em La Zubia, um pequeno pueblo muito perto de Granada que é uma cidade maravilhosa, em cada recanto existe algo que queremos conhecer, é uma cidade cheia de história. Vivo com mais 5 voluntários de diferentes países, trabalhamos todos juntos na Fundación, onde nos sentimos em casa também. É fantástico o carinho e o valor com que os tutores, os educadores e os utentes nos recebem todos os dias, sempre disponiveis para ajudar e com um sorriso na cara.

Na Fundación Docete Omnes, existem três talleres: pintura, costura e reciclagem. O trabalho consiste em acompanhar, ajudar e apoiar as utentes com discapacidades cognitivas e motoras. Pelas manhãs estou no taller de reciclagem, durante a hora de almoço ajudamos no refeitório e pelas tardes é o tempo de relax para as utentes, por isso aproveitamos para ir falando com elas enquanto retocamos os trabalhos realizados pela manhã. Como o meu trabalho está relacionado com a minha área de formação, neste momento estou a desenhar um projeto para implementar com as utentes brevemente, para que possam desenvolver a motricidade e experimentar trabalhar com novos materiais proporciona-lhes o aumento de motivação.  

Existem dias descontraidos e outros mais dificeis, mas isso faz parte do desafio e ultrapassar esses dias proporciona-me sem dúvida aexperiência e crescimento pessoal e profissional que procuro.   

Neste primeiro mês já estive em Cantábria (norte de Espanha), um lugar lindíssimo para o primeiro seminário, a nossa formação de chegada. Foi mais uma experiência enriquecedora, onde tive contacto com outros voluntários europeios que estão em várias zonas de Espanha, o conhecimento de novas culturas e partilha de experiências, proporcionaram momentos interculturais excepcionais.
Na última semana, participámos num outro seminário “Volunteers in Movement” , desta vez, aqui em Granada, com um grupo vindo de diferentes países, o seminário consistia na formação de um voluntário, no desenvolvimento de capacidades e competências que o serviço de voluntariado proporciona, e a apresentação de algumas instituições em Granada que se mantém, actualmente, devido ao trabalho dos voluntários.

Por agora, ainda me restam 8 meses cheios de surpresas, experiências, festas, com esta familia que estou a criar nesta magnífica cidade. 

Un hasta luego que me voy de tapas :)


Mara Dias

27 março 2014

Testemunho de Johan sobre o seu SVE em Lisboa (em um Ato e duas Cenas!)

Ato I – Cena 1

Estação de Santa Apolónia

A Sara e a Aneta arrastam o Johan pelos pés para lhe empurrar no comboio.

Johan: Não! Naaaaaaoooooo! Eu não quero ir embora! Lisboa é a minha casa! Eu farei descarrilar o comboio se necessário! 
É injuuuuuustooo!

Sara: Sim, Johan! O teu SVE acabou, é necessário voltar para França. Estamos fartos de ti!

Johan: Prometo! Eu deixarei de queixar-me! Eu farei tudo o que vocês querem! Eu varrerei o escritório de SPIN o dia todo! A noite também! Eu prepararei para vocês o pequeno-almoço! Chocolates quentes quando choverá o dia todo! Eu escreverei poemas que falarão de SPIN de forma que este nome ainda ressoa nas orelhas da humanidade dentro de 1000 anos!

Aneta: Johan, fazes demais. És ridículo. E eu lembro-me que és tu que decidiste voltar para França.

Johan (põe-se de pé e removendo o pó na sua jaqueta): Sim. É verdade. Desculpem,não sei o que me passou.



Uma luz perfura o telhado da estação e chega aos pés de Johan. Esta luz move-se. 
Amália Rodrigues aparece.

Amália: Ola Johan.
Johan: Ola Senhora. 
Amália: Pois, tu vais embora.
Johan, um pouco vergonhoso: Sim, Senhora. 
Amália: Sem saudade?
Johan: Eu não prefiro falar sobre isto, Senhora.

Fernando Pessoa sai da luz.
Fernando: faltas de palavras?
Johan: Ola Senhor. É porque não é fácil expressar, a sua coisa lá, a saudade... 

Vasco da Gama aparece encima dum comboio.

Vasco: Ola filho!

Johan: Oula, é tudo o Portugal que vai se reunir aqui?
Vasco: Eu sei o que tu precisas, nada vale o mar! Vamos navegar no mar dos teus 6 últimos meses 
aqui!

A Sara e Aneta despedem-se deles cantando um fado com Amália e Fernando.


Ato I – Cena 2

O Johan e Vasco da Gama estão numa caravela.
O mar está quieto, algumas gaivotas jogam no vento.

Johan percebe algo longe fora...


Johan: Olhe, Vasco, é o meu mês de setembro que flutua por cima lá! Whaaaah, está tão carregado,
parece que vai verter o barco! Eu tinha realmente enchido os! Do acordeão, a dança, a capoeira, a aprendizagem do português, mais o inicio do SVE...

Johan: Olhe! Lá! Há pouco, eles passaram debaixo do casco do barco! E lá! Uma cambalhota 
encima da água! Sentimos que são realmente mais leve! Eles são os meus meses de Novembro e Dezembro! 

Vasco: É verdade... Eles parecem bastante felizes...

Johan: Era o começo de muitos dias chuvosos. Mas tudo ficou mais fácil. As relações que ficam mais fortes. Os meus colegas e tutores ficaram amigos.O trabalho de voluntario era cada vez mais interessante. Começamos a realizaçao de um documentario sobre os 2 anos de vida do Cineclube!Eu também comecei a falar melhor o português! Tudo ficou mais rico! Eu tinha levado hábitos: o café do domingo de manhã na mesma pastelaria, a aula de dança contemporânea da segunda-feira, o evento do cineclube cada quinta-feira a noite... 

Vasco: É o que gosto com os mares desconhecidos. Elas estão cheias de surpresas... Olha para o oeste por exemplo, estes pássaros grandes!
Johan: Ai ai! Mas eles são Janeiro e Fevereiro! Eles subiram tanto! Sobrevoam as nuvens! Estão a gozar dos últimos raios de sol pensando nas próximas costas que irão explorar... A vida está bonita. Eu estou rodeado com amigos, as ruelas de Lisboa acolhem os meus passeios... Com a Marta, a minha amiga e colega do Cineclube, realizamos um filme sobre Telheiras, o bairro onde trabalhamos. Divertimo-nos enormemente.

Vasco: Acho que os teus pássaros vão embora...

Johan, assistindo a eles indo embora para o pôr-do-sol: Sim. Mas eu confio neles. Onde quer que eles vão, eles reservam-me surpresas bonitas e encontros ricos.A Sara, a Aneta, Amália e Fernando Pessoa aparecem à popa do navio, cantando um fado.

Vasco: Dou-te boleia?

Johan: Sim, obrigado, vamos para França. Eu vou ir cultivar um pouco a minha saudade...

O barco vai embora. O sol mergulha totalmente no mar.



FIM (do ato português)
Johan Philippe