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27 maio 2020

O testemunho da Karolina no. 1 (SPEA)


Until recently, I spent whole days in the snowy Czech mountains teaching kids skiing and snowboarding, and now, a few days later, I'm sitting on a beach wearing shorts, digging with my fork into pasta in a plastic box and watching the calm sea level. Tânia is resting next to me, with backpacks full of maps, GPS and all the equipment needed to complete today's tasks scattered around. Both of us have binoculars at hand, always ready to bring us closer to some interesting events from the bird world.

I arrived in Portugal at the end of February as a volunteer for the European Solidarity Corps. Here I joined a new start-up project of the Portuguese Ornithological Society called LIFE Ilhas Barreira, which aims to protect the island ecosystem in the Ria Formosa Natural Park in southern Portugal. The project focuses on the conservation of three target species - the little tern, the Balearic shearwater and the Audouin's gull. The latter has just flown over our heads screaming his head off which is so characteristic for this particular species.



The lunch break has flown by fast. I try to chase away the thoughts of having a small coffee and a traditional Portuguese pasty treat - pastel de nata – as a dessert. I am hoping that walking around the island, the fresh sea breeze and work will soon wake me up from the "after-lunch sleepy mood". Our task today, and for the coming days, is to map the vegetation on the island. We are orienting ourselves with the help of a GPS and a map which has specific points drawn on it. Expanding a square of 2x2 metres at each stand with the help of bulky plant guide, we are trying to identify everything which grows inside of the square, even the plants in its strangest stage of development.


Working in the field feeds my soul after a week of sitting behind a computer. Although the work of conservationists may seem full of adventure and days spent outside getting fresh air, it is one of the more enjoyable sides of this job for which we look forward to. Everything we collect in the field must also be processed on a computer. For example, previous days were spent sorting photos from camera traps, together with other volunteers Rita and Tânia. Sometimes it is a task that takes only a few hours. Sometimes bush dances in the wind standing in front of the camera, triggering a camera trap at the slightest movement. Likewise, if seagull colonies like to move around the area right in front of the camera trap station, there may be thousands of them to sort instead of a few dozen pictures. And then your eyes and ass hurt a lot from working on the computer.



While working in the sun, the time flies completely differently. We have completed mapping of the last site around 4 afternoon and are slowly moving to a concrete pier. We stop at a wooden cottage. There is a wooden table in the middle of the porch with utensils left untidily around after the lunch feast, and a hammock between two columns which is swaying in the wind. The place looks completely deserted despite numerous signs suggesting one's recent presence. Tânia peers inside the cabin through the widely opened door and soon she manages to lure an older man out of the inside of the wooden building. Sleepily, he sits down at a table on the sun-drenched terrace and begins a friendly conversation in Portuguese with Tânia. I have not bad an eyelid, but my brain has been trying hard to try and understand at least some snippets of their conversation. The feeling of joy due to a promising understanding of parts of their discussion is promptly swept away by another rush of inexplicable phrases. I keep reassuring myself by knowing I would have plenty of time to learn the language - I have yet 10 months ahead of me! After the conversation which has exhausted me more than the two of them together, we say goodbye to Senhor and his picturesque home. The rest of our group and a small motorboat are already waiting at the pier. Usually, there is a large cruise ship which sails to the island and back. However, because of the coronavirus measures, its operation has been interrupted, and a small boat trip back to the island is only available for island workers and our ornithological crew. The cruise to Faro takes about 10 minutes, after which we walk through the streets, which are less and less crowded every day,  and we disappear into a small house spending the rest of the day there.



Today, two months later, I am back home in the Czech Republic. A few days after having that nice lunch on the beach, I got on a plane and flew out of sunny Portugal. Due to the growing pressure connected with the coronavirus situation, I have decided to return home at the last minute, and spend a strange period of uncertainty at home.



Spring is in full swing. The last remainder of snow retains only on the highest mountain peaks. Brooks are teeming with salamanders, there are jays arguing high in the treetops, and deers are running away as they notice my presence. Instead of Audouin's gull with a red beak, I am looking for a woodpecker with a red cap. It's hard to believe that until recently I was sitting in shorts on the beach watching the sea level.



All organizations involved - SPEA, SPIN, Plan B and both National Agencies - accepted my decision to end volunteering with understanding. I would like to thank them all very much for this, and for everything else they have done. At the same time, I would like to wish all the best to everyone who has decided in a similar way or, on the contrary, those who have stayed working on their projects.



It was an enriching experience in ways I could hardly expect despite being funnily short in comparison to what my original plans were.



31 março 2020

O testemunho de João (The Ambassadors of European and Olympic Values)


Sete meses e uma pandemia

O que é o Serviço de Voluntariado Europeu?
O Serviço de Voluntariado Europeu (European Voluntary Service –EVS), agora conhecido oficialmente como Corpo Europeu de Solidariedade (European Solidarity Corps – ESC) é parte do programa European Youth Initiative Erasmus +, que permite a jovens entre os 17 e os 30 anos viajar para e da Europa entre 2 semanas e 12 meses para fazer serviço de voluntariado. O programa apresente diversos tipos de projeto, pelo que facilmente encontrarás um que encaixe nas tuas preferências e habilidades. A educação superior ou a experiência não são fatores requeridos, sendo necessária apenas a tua motivação! Para além do mais, todos os custos são cobertos paela Comissão Europeia – a viagem de ida e volta para o país de acolhimento, visa (caso necessites), despesas diárias e ainda “dinheiro de bolso” (para fazeres gastos supérfluos que assim entendas). É sem dúvida uma oportunidade única de teres uma nova experiência num outro país, numa outra cultura, viajando e conhecendo imensas pessoas com diferentes backgrounds. E tudo isto sem qualquer custo associado!


O meu projeto
Quanto ao que o meu projeto em específico diz respeito, penso ter tido a sorte de encontrar um dos melhores projetos do programa ESC. Durante estes últimos 7 meses conheci muitos outros jovens inseridos igualmente no programa ESC e posso garantir que nenhum deles está a realizar um projeto tão diverso e interessante como este.


“The Ambassadors of European and Olympic Values” é um projeto de voluntariado de 12 meses levado a cabo pela “Mainson de l’Europe Bordeaux-Aquitaine” (MEBA) em colaboração com o “Comité Départemental Olympique et Sportif” (CDOS) em Bordéus, França. O projeto é constituído por 24 voluntários, sendo 10 deles franceses (a realizar “service civique”, um programa de voluntariado interno) e 14 europeus oriundos de 9 países diferentes (România, Espanha, Portugal, Chipre, Sérvia, Alemanha, Itália, Finlândia e Geórgia) sendo eu o único português. O grupo divide-se na maioria das intervenções em subgrupos de 3, apelidados de “trinomes” (constituídos idealmente por 2 europeus e 1 francês), e cada “trinome” tem um plano de atividades diferente ao longo do ano. No então a principal missão é comum, e trata-se de promover e partilhar os valores europeus, bem como uma vida saudável e desportiva, tudo isto através de educação não formal. A principal atividade passa por trabalhar em diferentes escolas, com públicos extremamente diversos (background, idade, etc.), apresentando o nosso país, a Europa e o olimpismo, realizando para isso atividades práticas que promovam esse tipo de aprendizagem. Com tudo, o projeto apresenta um conjunto vasto de atividades diversas que complementam o projeto, desde “Café Linguistique” (onde dirigimos uma mesa onde se fala o nosso idioma, português no meu caso), preparação e apoio logístico em eventos desportivos, emissões de rádio, edição e captação de imagens e vídeo, noites culturais, etc. Isto faz com que seja impossível não veres abordados tópicos pelos quais tenhas interesse, bem como fornece um dinamismo único ao projeto como um todo.


Ao fim de 7 meses posso garantir-vos que o projeto vos fornece com toda a certeza uma panóplia de habilidades para que se conheçam melhor, aprendam, desenvolvam e expandam a vossa zona de conforto, bem como estejam aptos a partilhar esta aprendizagem com terceiros e a contribuir igualmente para o seu desenvolvimento.

França
Outro aspeto positive do projeto é o facto de ser levado a cabo em França. França é um dos países mais cosmopolitas do mundo, e isso sente-se no dia a dia. O francês é uma língua, pessoalmente falando, extremamente interessante, já para não falar da sua utilidade dentro do espaço europeu. Poder estar imerso nesta realidade é não só um prazer presente como uma oportunidade futura. Bordéus, especificamente falando, é das melhores cidades em França para se levar a cabo um projeto como este. Mais segura do que a maioria das cidades francesas, Bordéus não tem a dimensão (exagerada, a meu ver) de Paris, mas é grande o suficiente para que não sintam a falta de nada por um único momento. Uma arquitetura invejável, espaços verdes lindíssimos, um rio que é imagem de marca, uma universidade conceituada que dá uma roupagem jovem à cidade, cafés, bares, vida noturna, praia e locais preciosos a apenas 1 hora de distância. Para além do mais, está servida por um sistema de transportes excelente que vos permite estar em qualquer ponto de França num abrir e fechar de olhos (para que tenham uma ideia, por 20 euros apanham o TGV para Paris – a quase 600 km de distância - que demora… 2 horas!).  O único senão que poderão eventualmente encarar é o custo de vida, uma vez que em Bordéus os preços são um pouco elevados. Contudo, o dinheiro que nos é disponibilizado mensalmente é, no meu caso, mais que suficiente para fazer face às despesas diárias. Na verdade, tenho ainda poupado bastante, o que me tem permitido viajado imenso e descoberto não só França, como um pouco da Europa.

Quanto ao idioma, a experiência vai muito depender da vivência pessoal de cada um. Para que se tenha uma experiência completa no projeto, conseguir comunicar em francês é recomendável. Foi, aliás, este o maior desafio que encontrei. Contudo, a participação no projeto não é colocada em causa pela falta deste conhecimento, uma vez que trabalhamos sempre com um elemento francês que pode fazer a tradução. Para além do mais é fornecido um apoio incrível para aprendizagem da língua, desde a plataforma online da comissão europeia até ao fornecimento de aulas privadas por parte de voluntários franceses. Contudo, por sermos um grupo grande de voluntários que comunica entre si em inglês, a aprendizagem tem sido um pouco mais demorada. Em projetos onde há apenas 2 ou 3 voluntários, esse tempo é mais reduzido.
Experiências
Para além da aprendizagem consequente da parte formal do projeto, muito tenho vivido e aprendido com tudo o que faz parte da experiência de viver sozinho. Sendo o horário de 30 horas semanais (sendo que na maioria das semanas se trabalha ainda menos), muito tempo livre sobra para todas as outras atividades que pretendemos realizar. Pessoalmente, o desporto, a cozinha, o convívio e as viagens têm constituído o núcleo principal do meu crescimento neste projeto. Se tivesse de escolher a melhor componente deste projeto, sem dúvida que apontaria o grupo de voluntários que se formou. Somos 14 europeus a residir no mesmo local que, partilhando tudo o que há para partilhar, acabaram por criar uma verdadeira família. Isso ajudou-me, sem dúvida alguma, a superar as adversidades que poderia sentir na minha primeira experiência a viver longe de casa. Pese embora as saudades que sinto de Portugal, a verdade é que hoje estas pessoas me fazem igualmente falta. Desde as experiências diárias às viagens juntos, é sem dúvida as amizades que aqui fiz que me fazem deprimir sempre que penso no término do projeto.


Oportunidades depois do projeto

Com mais de metade do projeto realizado, o pensamento do que será o próximo ano é inevitável. Tem sido, honestamente, o mais difícil de gerir. As saudades de algo que ainda não terminou são já inevitáveis, e o pensar num futuro sem esta gente ao meu lado é assustador. Contudo, sei que independentemente do que aconteça, sou hoje um ser humano mais completo e preparado para enfrentar novos desafios, e espero poder partilhar toda esta aprendizagem e conhecimento adquirido com os próximos parceiros de viagem.
Corona: um azar dos diabos
França está atualmente numa situação delicada, como de resto estão a maioria dos países por esta Europa fora, incluindo Portugal. O projeto foi temporariamente cancelado e metade dos voluntários regressou a casa, enquanto a outra metade preferiu ficar de quarentena na residência. Pessoalmente optei por esta segunda opção, não só por saber que seria mais fácil de enfrentar tempos de “enclausuramento”, mas também por não querer expor-me a mim e aos meus familiares aos perigos que uma mudança como esta acarretaria agora. Passadas duas semanas, não me arrependo nada da minha decisão: pese embora o azar de enfrentar uma situação como esta num período em que os planos eram imensos, a verdade é que enquanto grupo encontrámos formas de passar um bom tempo juntos, com sessões diárias de cinema, cozinha, estudo, jogos, etc.

Esperando que a situação retome à normalidade o mais rapidamente possível, de preferência sem danos de maior, deixo-vos aqui algumas razões que penso deverem considerar para realizar um projeto dos Corpos de Solidariedade Europeu:
·         Experiência de viver sozinho num país estrangeiro: o nosso país, com a nossa família e os nossos amigos de sempre por perto, rodeados pela nossa língua e a nossa cultura, é, por razões óbvias, a nossa zona de conforto. Viver numa realidade totalmente distinta ajudar-vos-á a desenvolver habilidades essenciais para o vosso futuro pessoal e profissional;
·         Conhecer pessoas novas: o ESC é uma oportunidade única de viver num ambiente multicultural, com pessoas totalmente distintas, oriundas que realidades também elas totalmente diferentes, que vos fará aprender, crescer e certamente criar laços de amizade que guardarão para o resto da vida;
·         Aprender um novo idioma: a melhor forma de aprender uma língua estrangeira é viver num país onde essa língua é a oficial. Adquirir conhecimentos da língua do país de acolhimento é um dos principais objetivos dos projetos ESC, e terão nestes projetos acesso a ferramentas e oportunidades que dificilmente encontrarão noutra situação;
·         Desenvolver novas habilidades: há milhares de projetos ESC e estou certo de que facilmente encontrarão um que se ajuste da melhor maneira aos vossos interesses pessoais e profissionais.
·         Sentimento de utilidade social: o objetivo dos projetos ESC é não só contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional dos voluntários que neles participam, mas também ajudar ao desenvolvimento das comunidades onde estes se inserem. Poder fazer parte deste contributo social deve deixar qualquer voluntário orgulhoso.
·         Descoberta pessoal: o tempo disponível que temos no nosso dia-a-dia, bem como as parcas ferramentas ao nosso dispor, não nos permitem conhecer verdadeiramente quem somos, as nossas potencialidades, qualidades e limitações. Este é sem dúvida o espaço para o fazer, não só por nos proporcionar o tempo e os meios necessários, mas também por nos dar a oportunidade de tentar, falhar e corrigir, algo nem sempre possível no contexto em que estamos inseridos.
·         Participação totalmente gratuita: poder usufruir de toda esta experiência de uma forma totalmente gratuita é uma oportunidade que certamente não voltarão a ter, e que torna os projetos ESC verdadeiramente multiculturais e democráticos.
·         ESC é um projeto inesquecível – uma experiência que marcará as vossas vidas!



15 janeiro 2019

O testemunho da Nerea

Há 7 meses abandonei a minha casa rumbo a Lisboa e há 7 meses estou a crescer como pessoa e como profissional no meu EVS. E muitas coisas acontecieram durante todos esses meses. 
O meu EVS na Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) é uma das melhores experiências da minha vida. Estou a trabalhar no que eu mais gosto, com um grupo de pessoas incredível e disfrutando todos os dias. Além disso, graças ao trabalho de campo viajo o país de norte a sul, de Miranda do Douro a Sagres, conhecendo Portugal e as suas regiões e tradições. 


No mes de outubro aconteceu umo dos momentos mais importantes no EVS: o On Arrival Training. Caminho a Gerês, lugar onde decorreu o meu On Arrival Training, não tinha muita vontad de estar ali. Eu sou timida, e no momento de conhecer pessoas novas tenho medo e inseguridades, mas no decorrer dos dias em Gerês tudo ese pensamento mudou e foram uns dos dias mais fixes em tudo o meu EVS. Apesar de não dominhar o inglês, conheci montes de pessoas de diferentes nacionalidades (Espanha, Turquia, Austria, Poland, etc), que são agora amigas. Ficar 6 dias no meio da montanha com pessoas diferentes e interesantes foi um dos aprendizajes mais boms de estos meses.


No mes de novembro, aproveitando um fim de semana, visitei Porto com algumas amigas do escritório. Apesar do frio gostei immenso da cidade e comí o prato estrela dali, a francesinha. ADOREI. Foi também o momento ótimo para me reencontrar com muitas das pessoas que conheci no EVS e disfrutar um bocado mais uns dos outos.


Também estou desfrutando de Lisboa, dos sitios mágicos que há nesta bonita cidade e das pessoas que tive sorte a conhecer durante este tempo.


Agora começa o ano com bons propósitos e ainda tenho 5 meses por delante que vão ser iguais ou melhores aos 7 meses anteriores.