Mostrar mensagens com a etiqueta Escócia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Escócia. Mostrar todas as mensagens

03 novembro 2017

Intercâmbio TH!NK: youth & the post-truth era

O intercâmbio TH!NK: youth & the post-truth era decorreu de 9 a 17 de Outubro de 2017 em Lisboa. Aqui ficam uns pequenos testemunhos dos participantes da Escócia. 

Shelby Johnston, Scotland
As a wee gal from Scotland, being able to share hilarious and educational experiences with some beautiful folk from across the world has been mega!Spending time working in groups talking about Scotland's current political stance and comparing it to other countries has been beyond beneficial for me to realise how I deal with the daily political news and how ignorant I've been to other peoples situations- all of which are totally different yet somehow have relatable aspects.THE GRUB (dinners) HAVE BEEN BEEN FAB. Having a chance to explore other country's traditional meals & to just chill with them at breaks and at night has been one of the highlights, seeing peoples humour and trying to teach people the Scottish dialect has been a pretty good laugh and we can speak at a decent speed and be understood at this point in the week... we've adopted some honorary Scots along the way.One of the most magical moments for me on the trip was on the way to visit the castle and coming across another Hang Drum (musical instrument) player... I play one at home and was able to have a shot of one on the sunny streets of Portugal which couldn't have put a bigger cheeser on my face. 
Portugal chums, I'll be back. 

Brad Burrowes, Scotland 
My name's Brad and this was my first time in Portugal and also my first youth exchange. I am very grateful to have been given this opportunity through A&M Scotland as it had been a great experience and I have thoroughly enjoyed my time here. The youth exchange has helped me see the way people from different cultures live and how they differ to mines, the exchange has also changed my perspective on life and has made me realise there is much more to life than just staying in my own city and not exploring the world. I really enjoyed experiencing different food from the other cultures and enjoyed the task of having to make food for 30 people as this was the first time I'd done anything of the sort. My favourite part of the exchange was when we took the day trip out to the museum and castle:I learned the struggles that people in Portugal went through and how times have changed also the trip around the castle was great the I was mesmerised by the views and how nice the city really is , all in all I enjoyed my whole experience on the exchange and would I've the opportunity to do something like this again. 

Les McGovern, Scotland 
The spin exchange has changed my perspective on life as it allowed me to experience many different cultures and how they differ to my very own. I will be heading back to Glasgow with a new mindset, motivated and ready to tackle new challenges which will hopefully better me as a person. I can not thank spin enough for gifting me with such a great opportunity as this was, after all, my very first time I have had the chance to travel to another country. This is a chapter in my life I will never forget as I made new friends for life and not learned about other cultures but also learned a lot about myself. Again words cant express how much I have enjoyed living here in Portugal. 

Sam Donnelly, Scotland
Coming on this trip has been an amazing experience I feel I have learned a lot and my confidence has grown, it has been a life-changing experience and I would love to do it again, if I could go back I would do things a little differently but I will use this as a learning experience, I have loved getting to know everyone and learning about new cultures, everyone has been so nice and friendly I will miss the people and spin, thank you for giving me this opportunity I can't wait to go home and make other people aware of the things we have learned. 

Jasmine Main, Scotland 
My name is Jasmine and I am a youth worker from Glasgow, Scotland. I had been on many youth exchange projects as a young person and was delighted to be asked by our organisation to accompany young people as a staff member and team leader to Lisbon for 10 days. I have thoroughly enjoyed watching young people from all over the world bond and laugh over life experiences and cultural differences. I know these experiences and memories will stay with them for life and I can't wait to see the effect it will have on their lives back home in Scotland.

07 julho 2011

SVE em Edimburgo

Esta aventura começou de forma quase acidental, tendo ouvido falar do Serviço Voluntário Europeu e, apenas com a curiosidade despertada pelo nome, pesquisei mais sobre o projecto, decidi candidatar-me e tentar a minha sorte.

Com a ajuda da SPIN, aterrei em Edimburgo no início de Março para seis meses num projecto de Serviço Voluntário Europeu num pequeno recanto encantado chamado “The Forest”.

O Forest

As minhas funções no Forest são as de coordenação dos voluntários. De duas em duas semanas organizo inductions para os novos voluntários onde lhes explico o que é o Forest e apresento-lhes o espaço.

Explicar o Forest é difícil pois é um projecto tão único quanto cada pessoa que o constitui e a verdadeira chave para entender o funcionamento deste espaço é tomar parte nele.

Formalmente, aquilo que apresento aos novos voluntários é um espaço para artes e eventos e apoio aos artistas e à comunidade local, sem qualquer custo – tanto os eventos e workshops como os espaços – a galeria, a Darkroom para desenvolver fotografias, as Caves para bandas ensaiarem/gravarem, o Hall para grandes eventos, etc. Tudo isto é financiado pelo café vegetariano que funciona no Forest, uma vez que não recebemos qualquer outro tipo de financiamento para estes espaços como bolsas ou fundos do City Council.

Um dos espaços mais populares é o palco para eventos todos os dias da semana durante todo o dia, seja um filme, um concerto ou uma audição para um filme, tudo o que o que é necessário fazer é agendar no livro dos eventos e aparecer com algo de extraordinário para partilhar.

O Forest é 99% movido por voluntários (existem no momento cinco pessoas pagas pelo Forest para funções administrativas como contabilidade ou gestão do projecto de SVE), num colectivo de estrutura hierárquica horizontal e de decisão por consenso.

Essa é a definição formal.

A minha definição para o Forest é a de um projecto extraordinário, moldado ao pormenor pelas pessoas únicas que o construíram, por todos os que aqui passaram e deixaram algo de si. É um projecto que dá de volta tanto quanto colocamos nele. Por vezes pode ser um pouco caótico mas todo o esforço compensa em pequenos momentos espontâneos e extraordinários. Todos os dias são uma surpresa e nunca se sabe o que pode acontecer – por vezes os Sábados à noite são calmos e sem nada de especial a acontecer e, inesperadamente, temos um concerto extraordinário numa Terça-feira (lembro-me, por exemplo, de um final de tarde em que, sem aviso, tivemos uma dezena de pianos Casio espalhados pelo Forest, com grandes parafusos pressionando teclas diferentes – que qualquer pessoa podia alterar em qualquer momento – criando um interactivo efeito sonoro… surreal).

O Forest é isto mesmo: abre espaço para todo o tipo de experiências criativas, muitas vezes numa dinâmica de tentativa-erro: por vezes um fracasso mas, quando bem sucedidas, não podiam ser uma melhor surpresa.

Aqui já tive a oportunidade de experimentar aulas de neerlandês, dança contemporânea, screeprinting, dei por mim de chave de fendas na mão a reparar uma teimosa máquina de plastificar ou de agulha a jeito para fazer pequenos cadernos. Com uma das minhas flatmates, Lien, criei um podcast, ligeiramente (eufemismo!) surreal. De vez em quando puxo pela criatividade para fazer posters e este mês tenho um pequeno rabisco da minha autoria na capa do programa mensal de eventos no Forest.

Por vezes temos grandes eventos com muitas caras novas no Forest como os movimentados eventos de música e leitura de poesia pelos autores ou as Ceilidh, longos eventos com danças tradicionais escocesas que duram tanto quanta for a energia dos participantes. Outras transformam-se numa festa com as caras habituais como as noites de karaoke ou pub quiz. Também já organizei alguns: Crazy Train playlist com os piores/melhores videoclips de sempre, Tea Celebration Day com um menu especial de chá, chapéus e espaço para quem quisesse deixar a sua marca artística com tinta da China em várias mesas. A imaginação e a energia são o limite.

Habitualmente faço o caminho entre o Forest e o meu apartamento a pé. Tenho a possibilidade de usar o autocarro e é fácil arranjar uma bicicleta nesta cidade, mas durante aqueles vinte minutos de caminhada, habitualmente a ouvir música, tenho tempo de arrumar as ideias, apreciar Edimburgo e a vida aqui. Não sei dizer ao certo em que dia mas sei que a decisão surgiu tão naturalmente como o caminho para casa, a ouvir música e envolvida pelo ambiente de um final do dia aqui: decidi ficar em Edimburgo depois de terminar o SVE, por mais uns meses talvez – trabalhar, estudar, neste momento tenho todas as opções ainda em aberto.

O Forest prepara-se para uma nova fase na sua história uma vez que o edifício onde estamos agora foi vendido e temos de sair no início de Setembro. Esta é uma das razões pelas quais quero ficar: quero definitivamente estar envolvida no novo capítulo do Forest, tomar parte no que aí vem e contribuir para a energia que vamos precisar para escrever este novo momento.

Estou cada vez mais envolvida no Forest e é impossível não deixar de me sentir realizada quando as caras que fazem o Forest reagem com um sorriso feliz à notícia de que vou ficar depois do SVE e pretendo continuar envolvida neste projecto tanto quanto me for possível. Num projecto tão vincado pelas pessoas que o constroem, não podia sentir-me melhor neste momento enquanto mais uma peça do puzzle que é este colectivo.

"A city so beautiful that it breaks the heart again and again."

Não pretendo nunca limitar as minhas opções e aquilo que quero conhecer mas neste momento sinto-me muito bem nesta cidade e Edimburgo tem muito para ser o espaço ideal para mim. Apesar de ser uma cidade, é relativamente “familiar” e é fácil atravessar a área onde vivo até ao Forest e cruzar-me com muitas caras conhecidas (ao fim de dois meses no Forest, o Facebook ameaçou bloquear-me a conta porque estava a adicionar demasiados novos amigos…).

Há uma mistura perfeita entre a cidade e a Natureza, com grandes extensões de verde ideais para passeios e picnics a dois passos do centro da cidade. A arquitectura da cidade é especial, mais horizontal do que vertical e dominada por edifícios relativamente antigos (ao contrário, por exemplo, de Glasgow com grandes torres envidraçadas e um ambiente mais urbano), pequenos recantos e ruelas, pontes sobre níveis inferiores da cidade com Edimburgo a cruzar-se sobre si própria. O próprio ambiente cultural e de espírito diy (do it yourself) é vibrante e o incentivo ao empreendedorismo motivador.
É impossível não sentir saudades da família, dos amigos e de Portugal mas a Internet, as redes sociais, os postais, os telefones e as viagens low-cost sempre vão ajudando a atenuar a distância. Os últimos quatro meses têm sido nada abaixo de extraordinários e a minha candidatura para o SVE foi uma decisão que valeu todo o esforço e devo tudo à SPIN e ao Forest por todo o apoio que me têm dado e a oportunidade que me ofereceram. Este é, definitivamente, um novo capítulo na minha vida e não podia estar mais feliz por o ter entrelaçado com o Forest e Edimburgo.

                                                Margarida Jorge