31 março 2020

O testemunho de João (The Ambassadors of European and Olympic Values)


Sete meses e uma pandemia

O que é o Serviço de Voluntariado Europeu?
O Serviço de Voluntariado Europeu (European Voluntary Service –EVS), agora conhecido oficialmente como Corpo Europeu de Solidariedade (European Solidarity Corps – ESC) é parte do programa European Youth Initiative Erasmus +, que permite a jovens entre os 17 e os 30 anos viajar para e da Europa entre 2 semanas e 12 meses para fazer serviço de voluntariado. O programa apresente diversos tipos de projeto, pelo que facilmente encontrarás um que encaixe nas tuas preferências e habilidades. A educação superior ou a experiência não são fatores requeridos, sendo necessária apenas a tua motivação! Para além do mais, todos os custos são cobertos paela Comissão Europeia – a viagem de ida e volta para o país de acolhimento, visa (caso necessites), despesas diárias e ainda “dinheiro de bolso” (para fazeres gastos supérfluos que assim entendas). É sem dúvida uma oportunidade única de teres uma nova experiência num outro país, numa outra cultura, viajando e conhecendo imensas pessoas com diferentes backgrounds. E tudo isto sem qualquer custo associado!


O meu projeto
Quanto ao que o meu projeto em específico diz respeito, penso ter tido a sorte de encontrar um dos melhores projetos do programa ESC. Durante estes últimos 7 meses conheci muitos outros jovens inseridos igualmente no programa ESC e posso garantir que nenhum deles está a realizar um projeto tão diverso e interessante como este.


“The Ambassadors of European and Olympic Values” é um projeto de voluntariado de 12 meses levado a cabo pela “Mainson de l’Europe Bordeaux-Aquitaine” (MEBA) em colaboração com o “Comité Départemental Olympique et Sportif” (CDOS) em Bordéus, França. O projeto é constituído por 24 voluntários, sendo 10 deles franceses (a realizar “service civique”, um programa de voluntariado interno) e 14 europeus oriundos de 9 países diferentes (România, Espanha, Portugal, Chipre, Sérvia, Alemanha, Itália, Finlândia e Geórgia) sendo eu o único português. O grupo divide-se na maioria das intervenções em subgrupos de 3, apelidados de “trinomes” (constituídos idealmente por 2 europeus e 1 francês), e cada “trinome” tem um plano de atividades diferente ao longo do ano. No então a principal missão é comum, e trata-se de promover e partilhar os valores europeus, bem como uma vida saudável e desportiva, tudo isto através de educação não formal. A principal atividade passa por trabalhar em diferentes escolas, com públicos extremamente diversos (background, idade, etc.), apresentando o nosso país, a Europa e o olimpismo, realizando para isso atividades práticas que promovam esse tipo de aprendizagem. Com tudo, o projeto apresenta um conjunto vasto de atividades diversas que complementam o projeto, desde “Café Linguistique” (onde dirigimos uma mesa onde se fala o nosso idioma, português no meu caso), preparação e apoio logístico em eventos desportivos, emissões de rádio, edição e captação de imagens e vídeo, noites culturais, etc. Isto faz com que seja impossível não veres abordados tópicos pelos quais tenhas interesse, bem como fornece um dinamismo único ao projeto como um todo.


Ao fim de 7 meses posso garantir-vos que o projeto vos fornece com toda a certeza uma panóplia de habilidades para que se conheçam melhor, aprendam, desenvolvam e expandam a vossa zona de conforto, bem como estejam aptos a partilhar esta aprendizagem com terceiros e a contribuir igualmente para o seu desenvolvimento.

França
Outro aspeto positive do projeto é o facto de ser levado a cabo em França. França é um dos países mais cosmopolitas do mundo, e isso sente-se no dia a dia. O francês é uma língua, pessoalmente falando, extremamente interessante, já para não falar da sua utilidade dentro do espaço europeu. Poder estar imerso nesta realidade é não só um prazer presente como uma oportunidade futura. Bordéus, especificamente falando, é das melhores cidades em França para se levar a cabo um projeto como este. Mais segura do que a maioria das cidades francesas, Bordéus não tem a dimensão (exagerada, a meu ver) de Paris, mas é grande o suficiente para que não sintam a falta de nada por um único momento. Uma arquitetura invejável, espaços verdes lindíssimos, um rio que é imagem de marca, uma universidade conceituada que dá uma roupagem jovem à cidade, cafés, bares, vida noturna, praia e locais preciosos a apenas 1 hora de distância. Para além do mais, está servida por um sistema de transportes excelente que vos permite estar em qualquer ponto de França num abrir e fechar de olhos (para que tenham uma ideia, por 20 euros apanham o TGV para Paris – a quase 600 km de distância - que demora… 2 horas!).  O único senão que poderão eventualmente encarar é o custo de vida, uma vez que em Bordéus os preços são um pouco elevados. Contudo, o dinheiro que nos é disponibilizado mensalmente é, no meu caso, mais que suficiente para fazer face às despesas diárias. Na verdade, tenho ainda poupado bastante, o que me tem permitido viajado imenso e descoberto não só França, como um pouco da Europa.

Quanto ao idioma, a experiência vai muito depender da vivência pessoal de cada um. Para que se tenha uma experiência completa no projeto, conseguir comunicar em francês é recomendável. Foi, aliás, este o maior desafio que encontrei. Contudo, a participação no projeto não é colocada em causa pela falta deste conhecimento, uma vez que trabalhamos sempre com um elemento francês que pode fazer a tradução. Para além do mais é fornecido um apoio incrível para aprendizagem da língua, desde a plataforma online da comissão europeia até ao fornecimento de aulas privadas por parte de voluntários franceses. Contudo, por sermos um grupo grande de voluntários que comunica entre si em inglês, a aprendizagem tem sido um pouco mais demorada. Em projetos onde há apenas 2 ou 3 voluntários, esse tempo é mais reduzido.
Experiências
Para além da aprendizagem consequente da parte formal do projeto, muito tenho vivido e aprendido com tudo o que faz parte da experiência de viver sozinho. Sendo o horário de 30 horas semanais (sendo que na maioria das semanas se trabalha ainda menos), muito tempo livre sobra para todas as outras atividades que pretendemos realizar. Pessoalmente, o desporto, a cozinha, o convívio e as viagens têm constituído o núcleo principal do meu crescimento neste projeto. Se tivesse de escolher a melhor componente deste projeto, sem dúvida que apontaria o grupo de voluntários que se formou. Somos 14 europeus a residir no mesmo local que, partilhando tudo o que há para partilhar, acabaram por criar uma verdadeira família. Isso ajudou-me, sem dúvida alguma, a superar as adversidades que poderia sentir na minha primeira experiência a viver longe de casa. Pese embora as saudades que sinto de Portugal, a verdade é que hoje estas pessoas me fazem igualmente falta. Desde as experiências diárias às viagens juntos, é sem dúvida as amizades que aqui fiz que me fazem deprimir sempre que penso no término do projeto.


Oportunidades depois do projeto

Com mais de metade do projeto realizado, o pensamento do que será o próximo ano é inevitável. Tem sido, honestamente, o mais difícil de gerir. As saudades de algo que ainda não terminou são já inevitáveis, e o pensar num futuro sem esta gente ao meu lado é assustador. Contudo, sei que independentemente do que aconteça, sou hoje um ser humano mais completo e preparado para enfrentar novos desafios, e espero poder partilhar toda esta aprendizagem e conhecimento adquirido com os próximos parceiros de viagem.
Corona: um azar dos diabos
França está atualmente numa situação delicada, como de resto estão a maioria dos países por esta Europa fora, incluindo Portugal. O projeto foi temporariamente cancelado e metade dos voluntários regressou a casa, enquanto a outra metade preferiu ficar de quarentena na residência. Pessoalmente optei por esta segunda opção, não só por saber que seria mais fácil de enfrentar tempos de “enclausuramento”, mas também por não querer expor-me a mim e aos meus familiares aos perigos que uma mudança como esta acarretaria agora. Passadas duas semanas, não me arrependo nada da minha decisão: pese embora o azar de enfrentar uma situação como esta num período em que os planos eram imensos, a verdade é que enquanto grupo encontrámos formas de passar um bom tempo juntos, com sessões diárias de cinema, cozinha, estudo, jogos, etc.

Esperando que a situação retome à normalidade o mais rapidamente possível, de preferência sem danos de maior, deixo-vos aqui algumas razões que penso deverem considerar para realizar um projeto dos Corpos de Solidariedade Europeu:
·         Experiência de viver sozinho num país estrangeiro: o nosso país, com a nossa família e os nossos amigos de sempre por perto, rodeados pela nossa língua e a nossa cultura, é, por razões óbvias, a nossa zona de conforto. Viver numa realidade totalmente distinta ajudar-vos-á a desenvolver habilidades essenciais para o vosso futuro pessoal e profissional;
·         Conhecer pessoas novas: o ESC é uma oportunidade única de viver num ambiente multicultural, com pessoas totalmente distintas, oriundas que realidades também elas totalmente diferentes, que vos fará aprender, crescer e certamente criar laços de amizade que guardarão para o resto da vida;
·         Aprender um novo idioma: a melhor forma de aprender uma língua estrangeira é viver num país onde essa língua é a oficial. Adquirir conhecimentos da língua do país de acolhimento é um dos principais objetivos dos projetos ESC, e terão nestes projetos acesso a ferramentas e oportunidades que dificilmente encontrarão noutra situação;
·         Desenvolver novas habilidades: há milhares de projetos ESC e estou certo de que facilmente encontrarão um que se ajuste da melhor maneira aos vossos interesses pessoais e profissionais.
·         Sentimento de utilidade social: o objetivo dos projetos ESC é não só contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional dos voluntários que neles participam, mas também ajudar ao desenvolvimento das comunidades onde estes se inserem. Poder fazer parte deste contributo social deve deixar qualquer voluntário orgulhoso.
·         Descoberta pessoal: o tempo disponível que temos no nosso dia-a-dia, bem como as parcas ferramentas ao nosso dispor, não nos permitem conhecer verdadeiramente quem somos, as nossas potencialidades, qualidades e limitações. Este é sem dúvida o espaço para o fazer, não só por nos proporcionar o tempo e os meios necessários, mas também por nos dar a oportunidade de tentar, falhar e corrigir, algo nem sempre possível no contexto em que estamos inseridos.
·         Participação totalmente gratuita: poder usufruir de toda esta experiência de uma forma totalmente gratuita é uma oportunidade que certamente não voltarão a ter, e que torna os projetos ESC verdadeiramente multiculturais e democráticos.
·         ESC é um projeto inesquecível – uma experiência que marcará as vossas vidas!



27 março 2020

O testemunho da Ksenia No. 2 (Associação Spin)


Passados seis meses cá em Lisboa, posso dizer que valeu a pena, apesar de às vezes eu pensar ao contrário.



A quantidade de boas impressões que vou guardar na memória é imensa.
Já visitei tantos, mesmo tantos lugares excepcionais, e ainda há muito
a descobrir. Conheci as pessoas com quem, estou certa, manterei o
contacto depois de eu partir. Tenho aproveitado a vida tranquila e
(quase) sem stress, tendo bastante tempo livre que não perco em vão.



Tomara que os próximos três meses sejam ainda melhor.



25 março 2020

O testemunho da Agnieszka No. 3 (Viver Telheiras)


Being a volunteer can be odd. You are not a tourist, yet not a local. You are passing by but at the same time you get really involved. After some time, most of those struggles seem funny. They make good memories and valuable lessons, they make this all more precious and ours.



Most of testimonies look the same. To sum up – it was great, I learned a lot, made good friends and traveled everywhere! I loved it and can recommend long term volunteering to anyone!



The list of struggles could be endless. Mine would start with nr 1 - „communication”. Pushing the doors that were supposed to be pulled (who would though that puxe is pull...), google translating at doctors visits, actually google-translating almost everything, saying tá bem to all of the things that you did not understood hoping that was just an irrelevant small talk…
But that’s not only that. Even if you understand the language, and are able to fully express your ideas, you can not be sure that you will be understood. Finding a common ground it’s a challenge. Even despite cultural differences. Sometimes it creates funny misunderstandings, but other times, it just makes you frustrated.



The second place on my list would be „boredom”. Firstly when I realized that doing volunteering I will have more free time I just thought about traveling, meeting friends and learning new things… I expected only sunny days, full of exciting challenges at work and adventures. Well, it was not only that. Sometimes it felt that I am doing nothing and I am just wasting my time. There were days when I felt like it’s just not for me, that being somewhere for one year it’s too much and not enough at the same time.



The last one for me it’s a „failure”. Creating events, workshops that no one is interested, doing things that won’t change a thing, accidentally killing my cherry tomato plant or making the worst (almost raw and uneatable) cake in the world. There are so many things that I have failed that it could be list on its own...



18 março 2020

O testemunho da Eva No. 3 (SPEM Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla)


It seems unbelieveble that this journey it's over. It's said that times flies; my experience could be a prove of that. 9 months have passed and at the same time, they have been like ages. Every week was so intense that anybody would say it was a month. So many moments, emotions, details, tastes, can not be packed in just 7 days. 
Days were longer than 24 hours. EVS lifestyle requieres that.  You have to be ready for a new challenge, new plans, new views of what life does look like, new people, new ideas. At the point you start to feel comfortable with those different things and you're looking for others, you're developing yourself. 


I feel completely different now from when I came for the first time here, and I'm grateful for that. I was very lucky to be in a such stimulating environment. First of all, I would like to thank my hosting organisation, a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM). Working with them has shown me how important love and attention is. When life gets harder, just positive and good attitude can make the difference and push you to overcome the difficulties. Colaborating with them made me more independent, sociable and happy.


Actually who I learnt the most from it was my friends. We became a huge family where you could have fun, speak about deep topics, reflect about life, just hang out after a hard day or find that refugee that sometimes we need we are down.


Last but not least, I want to thank my coordinating organisation as well, SPIN. They really were all the time available to help and support us. When you come for the very first time to your new country, they're already there to show and explain you everything. And you know that whenever you need it, you can call and count on them.


 Thank you again to everybody that make my experience not good but amazing, life-changing and magic.

16 março 2020

O testemunho da Annalise No. 2 (Associação Spin)

The 6-month mark of my project is fast approaching. What a half-year it's been. It has been an unsettled period for the Spin office, but the unwavering positivity of my lovely colleagues has been extremely motivating. As always, there are plenty of positive things to focus on...

First of all, I'm super grateful to be living in Lisbon. It's a colourful, cobbled, city with diverse neighbourhoods and whose laid-back atmosphere makes it really easy to feel comfortable here. It's not easy to learn the language but it's also never not entertaining trying to communicate in Portuguese with the locals. I love passing by people talking on the street and listening to those strange nasal sounds of the language that I love to imitate.

I'm also grateful for the host of other volunteers I have met here. A definite highlight of my time here was the five days invading a tiny town in the north of Portugal with 50 other ESC volunteers doing their projects all around the country, otherwise known as On-Arrival training (for future/new volunteers: On-Arrival is definitely not something to be missed).


Presumably there are 3 and a half months left of my project here, which is both comforting and alarming. I'm sure that these months will pass extremely quickly and once I move on I'll be left with a big, sad, Lisbon-shaped hole in my heart. So for the moment, I will try to make the most of the rest of my time here!


O testemunho de Angel No. 2 ((Boutique da Cultura)


People say that 6 months pass fast, almost flying, but to be honest, for me this months have been a lot of time and good moments, I'd say that I remember every single day that I have passed here because everyday is different, in feelings, in experiences, in attitude, so they let us know a little bit of ourselves and from the others.


I have liked a lot all this time that I've passed here, because this time has been usefull to learn about tons of things. I've had the opportunity to learn Portuguese to the point that if I need to go out, I don't need to speak English anymore. I've learnt from the local people and how they are from my experience in the volunteering, by my bosses, colleges and the people we are in contact with, they way to be and to act, with me and with the others. Specially, I've learnt a lot from my boss because he's a deep person and I think we share a lot of values. One of the best moments that I can get here is to talk with him because I know that everytalk will be interesting because we both are deep even if we normaly look stupidly funny or like prankers.


My experience with other volunteers has been also really nice. When you're out of your house, you don't know how will it be, but here I feel like we have formed a family beetwen us, with a close relation with most of us. Everyone is different, so that's perfect for learning by each other. I know that if someone needs funny moments, we'll have them, and also relax or support moments. I really like the group we've formed.


In general, I feel like this is gonna finish soon, but I still have to pass a lot of good, sad, beautiful or melancholics moments, because life is like this, but I'm open and ready for them, because this was one of my aims here, to know more about the life, about the people, about feelings, to know more about me.



O testemunho do Katia No. 1 (Associação Spin)


Calamity


As the international mobility and international crisis might not go so well in hand, the european solidarity corps troops closes its doors and opens its laptops to enter into the phase of teletrabalho. I sit in the dirty streets watching the occasional tourist throwing coins into a bucket attached to a string from some balcony where three rugged musicians are playing fado-punk. (I guess street musicians are technically always doing teletrabalho, if they live on the streets?). In this calamity it is easy to overlook the beauty of the houses of Lisboa, with colourful mosaique tiles uniting to stand out in their identicality. I guess soon many will be full with people, pasta and toilet paper, and others remain empty as the air between the hanging bucket and the street.

I walk towards the green metro line. I think about the difficulty I have of separating utility fromfutility, and I worry about staying in the comfort zones of passivity. As a volunteer I am helping in the preparation for the Live it Lisbon summer school which will bring together people from all over the world for community work, cooking and learning portugese, in addition to all the little gestures that happen when making a group. Stroking her hair behind her ear, stretching an arm out to pat him on the back, shy smiles aimed at the one next to you. Hoping all these gesures will happen, I look out to the underground passing through Roma, the platform almost empty. Since I don’t take so many pictures, I give you this list instead of suggestions of things to do inside your house:

- watch lifehacks videos and try out as much as possible

- write long letters and spray them with desinfectant

- meditate

- learn how to make infographics

- read portugese books

- play solitary

- grow sprouts

- take and old t-shirt and cut it into reusable toilet paper

O testemunho da Aurélie No. 1 (Associação Spin)

Cheguei a Lisboa há duas semanas, num período relativamente calmo em que ainda se ouvia conversas que não tivessem o Coronavirus como alvo. No inicio não gostava sequer de falar deste tema porque me parecia banal, pouco interessante, os medos pareciam-me não ser baseados nalguma realidade concreta… Agora devo admitir que há uns dias que comecei a ver as noticias, ler as publicações no facebook, até ver a televisão (não me é nada costume) e a deixar-me ser influenciada por tudo aquilo que tenho visto, ouvido e lido. É frustrante. Sinto que perdi a minha capacidade de manter-me neutra. Não é que tenha medo. Tenho é compaixão por todos aqueles que se vejam implicados neste drama. Sobretudo os profissionais de saúde e as pessoas que ao longo do tempo não vão poder receber os cuidados que num período normal iam receber.


Ora bem. Que é que isso tem a ver com o meu voluntariado? Julgo já não existir na nossa realidade “moderna”, globalizada, hiperconectada; nada que não seja afectado. Pode ser apenas psicológico… Mas não consigo pensar senão tomando em conta este virus. Cheguei cá e depois de 3 dias no escritório mandaram-nos para casa. Acho bem e responsável, conter o virus é cauteloso, razoável. A nível pessoal, é frustrante. É preciso muita força de vontade para trabalhar quando não se está no escritório e não foram ainda atribuídas tarefas. Vou ter que ser mais criativa e proativa para não correr o risco de sentir-me inútil.


Coisas boas! Apesar de sentir que esta experiência de voluntariado ainda não tenha realmente começado, posso refletir um pouco sobre aquilo que já experimentei. Posso dizer que até agora só tenho tido interações boas tanto com os outros voluntários, sejam da Spin sejam das outras associações, como com os membros da equipa, apesar de só ter conhecido dois em pessoa! Tenho a sensação de que o ambiente de trabalho é bom, positivo, e que dá muito espaço para oferecer ideias e para criar os nosso próprios projetos. Acredito que o trabalho que a Spin faz seja muito positivo e valorizado por um publico bastante grande e variado; por um lado, aquele que está diretamente ligado à atividade diária da Spin - nomeadamente participantes de projetos como ESC, youth exchanges, etc., e por outro, a comunidade no bairro em que a Spin está inserida. Só tendo passado lá 3 dias, mas o que vejo é um bairro social limpo, cuidado, comunitário, diverso.


Não podemos saber como é que vai ser a evolução desta situação e como é que vai afetar a atividade da Spin, mas quem sabe - se os projetos relacionados com o estrangeiro vem-se restringidos, pode ser que isso nos faz trabalhar mais no nosso dia-a-dia com a comunidade mais próxima, contribuindo para aqueles projetos que normalmente vão direcionados para o Live it Lisbon!


Nestes dias tranquilos, em casa, estou a aproveitar para fazer muita leitura, reflexão, aprendizagem, e tenho como objetivo chegar a decifrar alguma mensagem que nos está a ser enviada pelo nosso lindo planeta, que, pelo menos, está a poder respirar um bocadinho melhor…


Um comentário adicional em relação às fotos que consegui tirar antes de ser confinada a casa; umas das muitas coisas que adoro desta cidade é a possibilidade de ter sempre diferentes perspetivas - querendo ou não ir à procura delas; com as suas sete colinas e o mar tão cerca conseguimos chegar a lugares expansivos, que nos permitem sermos nós mais expansivos. Expansão da perspetiva externa também expande a perspetiva interna… Por outro lado, coisas que nos projetam para o passado, em plena cidade (não sei se Monsanto pode ser considerado plena cidade)…


14 março 2020

O testemunho do Michele No. 1 (Associação Spin)


Hi! I’m Michele, 24 years old and I’m from Italy!

For the next 9 months I will be a volunteer for the Assiociaçao Spin.
It’s the first time for me that I live abroad and, for the moment, I don’t know what I am expecting from this experience.

I’m here only since 29th February but it seems like much more time has passed, especially during the first week because the time never passed!
In fact I had some tough moments, where my mind roamed a lot,  but now I’m feeling better and better!
I think that I only need to get used to the idea of living here, creating my own daily routine, my friends and my spaces.


For these reasons I can say that I’m learning a very important thing about this experience: to reinvent my time, myself, and to feel my deepest thoughts and emotions. 



For the moment I had the time to discover some beautiful place of my neighbourhood and of Lisbon (like Miradouro do Monte Agudo, Parque Eduardo VII, Parque Monsanto and cruz Quebrada’s beach! This city and his citizens are a continuous discovery! And I cannot wait to discover the most possible!

If I think about at the reasons that lead me to choose this experience, I can only say that I wanted to improve myself, get to know new people, cultures and I wanted to do something for the others.
For what I have experienced until now I can say definitely that is the right place, and I can’t wait to make it my place.



03 março 2020

O Testemunho da Maria No. 2 (Boutique da Cultura)


Hi there again! María, from Spain, volunteer at Boutique da Cultura. This is my second testimony after 6 months, time flies blabla...! Things have changed a lot for the better during this period. Living abroad to me is always like this, sometimes things go very smoothly, sometimes you start wondering why the hell are you here and what is your purpose in life. Luckily, if you are patient enough, you may find your path again. Or not. I did at least this time.



Part of the process of being a volunteer is getting to know the place where you work and try to find the place where you can help them best so you feel useful (which makes you feel happy and connected with people). After the first three months I got to know Boutique’s family enough to understand their needs and feel that I could be needed in a more audiovisual area, so I have started helping a lot with my knowledge in photography and video editing. 


Right know Ángel and me are involved in many different audiovisual projects that will help Boutique to reach a bigger audience, to spread the amazing work they do and connect with the community. This projects are not only useful for them, but also serves me as a way to get to know better the people that work here and having the chance to talk with them individually, which you dont usually have the chance for in a regular day.



Attached to this text you may find a series of photos I took during the opening of a new space curated by Boutique da Cultura: Oficina Local, a public space focused on the recycling of materials and the formation of the community with creative workshops. Also you can find me, drinking Porto. Saúde!