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06 julho 2020

O testemunho da Ksenia No. 3 ((Associação Spin)



Pois, chegaram ao fim estes 9 meses, e parece que era o tempo mais tranquilo e despreocupado da minha vida. Mas tudo tem o seu tempo, e agora é a hora para eu fazer mudanças e trazer mais estabilidade e mais equilíbrio à minha vida.'

Não quero dizer adeus a nenhumas pessoas que se tornaram próximas a mim durante essa jornada. Espero mesmo que dê para ter novos encontros com elas no próximo futuro. 



E, com certeza, não digo adeus a Portugal, o país que não deixa de me encantar, pasmar e admirar. Vou sentir saudades e vou lembrar-me sempre destes detalhes, que em conjunto representam a minha experiência:
 ⁃ As janelas e varandas com roupas coloridas penduradas em cordas;
 
⁃ O cheiro a bacalhau (amigo fiel) nos supermercados;
 
⁃ Os cães que correm felizes ao longo da costa;
 
⁃ A água geladinha do Atlântico;
 ⁃ As pessoas desconhecidas que te cumprimentam quando passas por diante delas (fora de Lisboa);
 
⁃ Os motoristas de táxi que cantam ou assobiam umas melodias alegres;
 
⁃ As ruas estreitinhas, tão acolhedores e cheias de vida;
 
⁃ Os gatos que olham para ti das janelas;
 
⁃ O vento salgado do oceano e esse sabor do sal nos lábios;
 
⁃ O playlist da Padaria Portuguesa;
 
⁃ Cafés cheios, pingados, meias de leite e abatanados;
 
⁃ Os hikes com as minhas companheiras simpáticas ou sozinha;
 
⁃ Neblinas misteriosas;
 
⁃ Jacarandás em flor, que fizeram as ruas ainda mais esplêndidas.
E assim por diante... Enfim, valeu a pena! Obrigada por tudo :)








27 março 2020

O testemunho da Ksenia No. 2 (Associação Spin)


Passados seis meses cá em Lisboa, posso dizer que valeu a pena, apesar de às vezes eu pensar ao contrário.



A quantidade de boas impressões que vou guardar na memória é imensa.
Já visitei tantos, mesmo tantos lugares excepcionais, e ainda há muito
a descobrir. Conheci as pessoas com quem, estou certa, manterei o
contacto depois de eu partir. Tenho aproveitado a vida tranquila e
(quase) sem stress, tendo bastante tempo livre que não perco em vão.



Tomara que os próximos três meses sejam ainda melhor.



16 março 2020

O testemunho da Annalise No. 2 (Associação Spin)

The 6-month mark of my project is fast approaching. What a half-year it's been. It has been an unsettled period for the Spin office, but the unwavering positivity of my lovely colleagues has been extremely motivating. As always, there are plenty of positive things to focus on...

First of all, I'm super grateful to be living in Lisbon. It's a colourful, cobbled, city with diverse neighbourhoods and whose laid-back atmosphere makes it really easy to feel comfortable here. It's not easy to learn the language but it's also never not entertaining trying to communicate in Portuguese with the locals. I love passing by people talking on the street and listening to those strange nasal sounds of the language that I love to imitate.

I'm also grateful for the host of other volunteers I have met here. A definite highlight of my time here was the five days invading a tiny town in the north of Portugal with 50 other ESC volunteers doing their projects all around the country, otherwise known as On-Arrival training (for future/new volunteers: On-Arrival is definitely not something to be missed).


Presumably there are 3 and a half months left of my project here, which is both comforting and alarming. I'm sure that these months will pass extremely quickly and once I move on I'll be left with a big, sad, Lisbon-shaped hole in my heart. So for the moment, I will try to make the most of the rest of my time here!


O testemunho da Aurélie No. 1 (Associação Spin)

Cheguei a Lisboa há duas semanas, num período relativamente calmo em que ainda se ouvia conversas que não tivessem o Coronavirus como alvo. No inicio não gostava sequer de falar deste tema porque me parecia banal, pouco interessante, os medos pareciam-me não ser baseados nalguma realidade concreta… Agora devo admitir que há uns dias que comecei a ver as noticias, ler as publicações no facebook, até ver a televisão (não me é nada costume) e a deixar-me ser influenciada por tudo aquilo que tenho visto, ouvido e lido. É frustrante. Sinto que perdi a minha capacidade de manter-me neutra. Não é que tenha medo. Tenho é compaixão por todos aqueles que se vejam implicados neste drama. Sobretudo os profissionais de saúde e as pessoas que ao longo do tempo não vão poder receber os cuidados que num período normal iam receber.


Ora bem. Que é que isso tem a ver com o meu voluntariado? Julgo já não existir na nossa realidade “moderna”, globalizada, hiperconectada; nada que não seja afectado. Pode ser apenas psicológico… Mas não consigo pensar senão tomando em conta este virus. Cheguei cá e depois de 3 dias no escritório mandaram-nos para casa. Acho bem e responsável, conter o virus é cauteloso, razoável. A nível pessoal, é frustrante. É preciso muita força de vontade para trabalhar quando não se está no escritório e não foram ainda atribuídas tarefas. Vou ter que ser mais criativa e proativa para não correr o risco de sentir-me inútil.


Coisas boas! Apesar de sentir que esta experiência de voluntariado ainda não tenha realmente começado, posso refletir um pouco sobre aquilo que já experimentei. Posso dizer que até agora só tenho tido interações boas tanto com os outros voluntários, sejam da Spin sejam das outras associações, como com os membros da equipa, apesar de só ter conhecido dois em pessoa! Tenho a sensação de que o ambiente de trabalho é bom, positivo, e que dá muito espaço para oferecer ideias e para criar os nosso próprios projetos. Acredito que o trabalho que a Spin faz seja muito positivo e valorizado por um publico bastante grande e variado; por um lado, aquele que está diretamente ligado à atividade diária da Spin - nomeadamente participantes de projetos como ESC, youth exchanges, etc., e por outro, a comunidade no bairro em que a Spin está inserida. Só tendo passado lá 3 dias, mas o que vejo é um bairro social limpo, cuidado, comunitário, diverso.


Não podemos saber como é que vai ser a evolução desta situação e como é que vai afetar a atividade da Spin, mas quem sabe - se os projetos relacionados com o estrangeiro vem-se restringidos, pode ser que isso nos faz trabalhar mais no nosso dia-a-dia com a comunidade mais próxima, contribuindo para aqueles projetos que normalmente vão direcionados para o Live it Lisbon!


Nestes dias tranquilos, em casa, estou a aproveitar para fazer muita leitura, reflexão, aprendizagem, e tenho como objetivo chegar a decifrar alguma mensagem que nos está a ser enviada pelo nosso lindo planeta, que, pelo menos, está a poder respirar um bocadinho melhor…


Um comentário adicional em relação às fotos que consegui tirar antes de ser confinada a casa; umas das muitas coisas que adoro desta cidade é a possibilidade de ter sempre diferentes perspetivas - querendo ou não ir à procura delas; com as suas sete colinas e o mar tão cerca conseguimos chegar a lugares expansivos, que nos permitem sermos nós mais expansivos. Expansão da perspetiva externa também expande a perspetiva interna… Por outro lado, coisas que nos projetam para o passado, em plena cidade (não sei se Monsanto pode ser considerado plena cidade)…