30 setembro 2013

Diário da primeira semana em Lisboa

Dia 1: Aeroporto de Paris
Odeio os aeroportos! Sento-me como uma abelha perdida num formigueiro. Há muita gente por todas partes que não se conhecem, que não se falam e que dentro de unas horas estarão todos em países diferentes... Não parece a vida de verdade. Não parece uma viagem de verdade. Gosto sentir o caminho. Quando viajo de avião, sento sobre tudo a esperança... (Isso era só para o prazer de queixar-me e, assim, corresponder a fama dos franceses...).

Lisboa... Esta palavra tem um sabor muito especial para mi. Um sabor misturado de pastel de nata, de bacalhau, da madeira das guitarras portuguesas e do cheiro do pavimento das ruas depois da chuva. Uma nota de fado, o ruído do elétrico e, de repente, sentia uma sensação estranha na barriga. Morei aqui 7 anos atrás, uns meses. Antes não sabia que significava a saudade. Seis meses depois, este sentimento me parecia claro. Se escondia entre o fígado e os pulmões.

Também neste imenso e impessoal aeroporto, a saudade me surpreendeu, quando apareceu o nome do destino no monitor. Duas horas de viajem e tocarei o pavimento... A Florence esta a minha espera com o seu lindo cartaz “SPIN”, perdido no meio de dezenas de cartazes. Florence é muita alta, isso ajuda muito. Uma viajem de metro. Umas escadas que já são as minhas melhores amigas... Lisboa é a cidade perfeita para muscular as pernas! (Se estas pernas não passam tempo demais nas pastelarias... O que é muito difícil!). E a casa dos Anjos!

A casa é típica portuguesa, com azulejos até dentro da cozinha! Percebo rapidamente que sou um dos burgueses do apartamento porque tenho uma varanda, perfeita para aproveitar do pôr do sol! Não tenha o tempo para descobrir cada esquina do meu novo quarto, tenhamos que apressar-nos para chegar ao supermercado ante do encerramento! No caminho, aprendi que o nome “pingo doce” não teve nada que fazer com o pinguim! Deceção muito grande.

Dia 2 a 6: Ruas, miradouros e parques de Lisboa
Primeira missão: acostumar-me ao calor português. Venho da Bretanha, que não é a região a mais quente da França! Segunda missão: encontrar a União Europeia com quem vou viver durante estes meses! Com sorte, todo o mundo fala um bocadinho português que, assim, fica a língua oficial da casa. O que é muito pratico quando é também a língua oficial na rua... (É para mi que fala inglês como uma vaca espanhola...). Terça missão: descobrir o parque perfeito para ler tranquilamente, com vista no Tejo, sombra das árvores e canto das aves. Quarta missão: caminhar em Alfama e não perder-me. A única missão com que fracassei...

Dia 7 até agora: Telheiras e Carnide, os bairros que não aparecem nas guias turísticas
Impossível encontrar uma loja de azulejos o de postais! Uma vergonha! Mas há ainda mais pastelarias?! Bom... Semana tranquila para encontrar SPIN, a organização que coordena o SVE e ART (Associação de Residentes de Telheiras) a organização que me acolhe, com Marta, a minha colega voluntaria galega. O nosso tutor, o Pedro, atua o seu papel muito bem! Já estamos convidados a comer! É, pouco a pouco, a descobrir as melhoras esplanadas de cafetaria do bairro. Ademais, o Pedro cozinha muito bem o bacalhau. Assim, se aproxima da perfeição.


A sede de ART fica no centro do bairro de Telheiras, com uma grande porta sempre aberta. Pedro é sobretudo responsável do Cineclube. A grande parte das nossas atividades serão relacionadas a esta componente de ART; por exemplo, a organização de projeções e concertos. Isso implica trabalhar de noite, mas assim temos outros momentos livres na semana! Perfeito para experimentar novas atividades, como a capoeira!

É por o momento, o trabalho é muito tranquilo. Como há a oportunidade de desenvolver as nossos projetos, estamos a pensar com Marta a realizar pequenos filmes sobre o bairro, o seus habitantes, a sua historia... Também existe uma horta partilhada que esta a nossa espera para acolher novas plantas e continuar a defender a natureza ao meio do betão!

Tenho de terminar... É hora de ir a trabalhar! O Cineclube participa a um festival de “bem-estar” e temos de experimentar uma aula de Chi-Kung! (Que vida difícil...)
 
Johan Philip

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