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15 setembro 2022

Testemunho do Pedro - Itália, Projeto (M.A.R.E.)

 

''Olá! Por aqui está tudo bem!





Durante o mês de Agosto estive a fazer monitorização de ninhos de tartaruga como já tinha feito em Junho. Tem como base de trabalho acordar cedo, 5h, e depois percorrer praias selecionadas.


Termina-se por volta das 8h. Ao mesmo tempo e durante 2 semanas em Cilento também fiz monitorização dos ninhos que identificámos. Ou seja, estarmos sempre presentes, após 52 dias após a descoberta do ninho porque a eclosão dos ovos pode dar-se a qualquer momento.


24h de supervisão continua feita por turnos. Tive a felicidade de ver uma tartaruga adulta a depor os ovos e de assistir às tartarugas bebés desse mesmo ninho a surgirem como pipocas na areia. Experiência incrível que nunca mais me esquecerei.


Vi à volta de 100 tartarugas bebés 😍 o desafio de Cilento está em dormir em tendas na praia e gerir as poucas horas de sono, mas a experiência e felicidade superam o cansaço acumulado. Região que deixará saudade e que já se sente à medida que vejo os meus amigos a partilharem histórias enquanto lá estão. 


O trabalho em Ieranto (zona amarela da A.M.P.) está quase a terminar o que é uma pena, porque é definitivamente um dos locais de trabalho mais bonitos aqui na península sorrentina. Isolado de tudo e apenas acessível através de um trilho ou por barco. No entanto estamos lá nós a fazer a monitorização de quem tenta entrar, porque só são permitidos nem 30 barcos dentro da baia. O info point é mais um dos locais onde posso melhorar o meu italiano, que diria que atingiu até agora um nível em que posso ter uma conversa sem muitos problemas.

Fiz também trabalho de comunicação e educação com crianças dos 6 aos 12 anos na Marina de Puolo onde fazemos snorkeling para ver as espécies locais (forma, cor e dimensão). O desafio seguinte que lhes propomos é o de descobrir a espécie(s) em livros e desenhar enquanto falamos com eles.


Da última vez mostraram-se interessados em saber algumas palavras portuguesas! Não tenho tido muito a oportunidade de trabalhar ultimamente no Campo Boe, porque o gommone (barco) não está operacional, mas trabalhar com as pessoas do parque lá é muito enriquecedor.


Campo Boe é um trato marinho onde foram introduzidas 35 bóias onde os barcos podem vir e usá-las pagando um determinado preço, evitando assim ancorar e destruir a Posidonia Oceanica (planta subaquática mediterrânea importantíssima).


Esta terça (6/09) iniciamos uma parceria nova com um projeto de arqueologia durante 2 semanas. Trata-se de retirar e escavar o local para perceber no futuro o que era e como estava contruído. Fazemos isto em Crapolla. Muito interessante do ponto visto histórico, mas esgotante.


Foi a noite onde dormi mais horas, penso eu ahaha Tive também a oportunidade de ser orador numa conferência sobre lixo marinho onde apresentei o trabalho que fazemos numa breve apresentação em italiano para diversas entidades! Muito bom e desafiador!

Já tive a oportunidade de visitar Nápoles com amigos daqui e com amigos que vieram de Portugal. Visitei também Roma durante 2 dias com um amigo da Universidade de Aveiro e este domingo fui a Pompeia. Sítios maravilhosos. Para a semana os meus pais e irmã vêm passar férias durante uma semana e tenho essa semana livre para estar com eles. Vai ser muito bom! Ando em preparações para proporcionar umas boas férias. 

Estou a gostar muito de aqui estar, não tenho nada a apontar. Vivemos sempre 2 dias num só. Não esperava menos de um projeto destes onde pessoas vêm e vão a cada semana. Estamos a meio do projeto, passa a voar.

Beijinhos e abraços,
Pedro''

08 outubro 2020

O testemunho do Pedro (Open Mind em Shipka (Bulgaria))

 

Textos ou imagens não são suficientes para descrever o que vivi durante este ano na Bulgária, mas aqui vai o melhor resumo que posso dar.
O meu projecto é em Shipka, Bulgária, que passou a ser chamada de Shipka Paradise (Paraíso) por nós, voluntários. Foi realmente como viver num paraíso com este projecto, mas há que se trazer boa energia e fazer com que o paraíso aconteça.
Nestes 12 meses que passaram (Setembro 2019 até Setembro 2020) aprendi muito, mas não o que se aprende na escola/faculdade. Vivi em comunidade, com voluntários maravilhosos e com a coordenadora do projecto e a sua filha, cães, gatos, outros mamíferos, galinhas, muitos insectos, répteis, bactérias, etc. na mesma casa. Entre voluntários criámos uma família maravilhosa, em que partilhar é espontâneo, distribui-se responsabilidades, coopera-se, pensa-se nos valores ou objectivos da comunidade antes dos valores individuais, integra-se em vez de se segregar, etc.





Aproximei-me do estilo de vida Zero Waste (Desperdício Zero). Rejeitar palhinhas, sacos de plástico, embalagens, comprar avulso, etc. Produzir os meus próprios produtos: pasta de dentes, detergentes, shampoo, esponjas para lavar pratos, etc. Repensar, adaptar, improvisar com o que se tem.
Com tudo isto aprendi mais sobre como viver em comunidade, cuidar da horta, viver uma vida mais sustentável, no sentido da Permacultura e da Sociocracia, que são das coisas que me cativam mais na vida.
Abre também espaço para experimentar coisas novas e fazer o que realmente se gosta, sem receio de se ser julgado. Tentar comunicar com poucos conhecimentos na língua, fazer crochet, tricotar, fazer macramé, fazer kombucha, viajar à boleia, trabalhar com terra argilosa para fazer construções, fazer actividades com crianças, fazer pão e queijo, etc.


No fim de tudo, Bulgária é a minha segunda casa. Deste ano e deste país, guardarei no meu coração e na minha memória muito boas gentes, boas situações, lindas paisagens, excelentes comidas, lindas montanhas e florestas para explorar, etc.






12 novembro 2019

O testemunho do Pedro (Open mind in Bulgaria)

Mesmo que todos estejam contra, se queres participar num projecto de voluntariado, apenas vai sem medos, será uma experiência transformadora para ti e irás ser valorizado e irás valorizar-te mais.

O País
Estou há 2 meses nos Balcãs e o meu projecto é em Shipka, Bulgária e irei ficar mais 7
meses.

Antes de me integrar no projecto, estive em Sofia 5 dias, uma cidade diferente das que vi em Portugal: avenidas largas, edifícios, parques e jardins grandiosos.

Há muita diversidade religiosa, cultural e de nacionalidades, tendo, no centro de Sofia, um local chamado Praça da Tolerância, que permite visitar, em poucos minutos de caminhada, uma mesquita (islamismo), uma catedral católica, uma igreja ortodoxa e uma sinagoga (judaismo), o que é incrível para mim.



O custo de vida foi uma das primeiras coisas que me surpreendeu, a comida é muito mais barata, tanto nos restaurantes como no supermercado e a diversidade de comida, para alguém como eu, que tenta ser vegetariano ao máximo, é boa, geralmente. As pessoas podem parecer fechadas à primeira vista, mas são muito acolhedoras e sempre interessadas em conhecer mais sobre mim.

O Projecto ESC

O projecto OPEN MIND interessou-me logo desde o início porque línguas eslavas e hortas sustentáveis (em Portugal faço parte do projecto HortaFCUL, horta comunitária sustentável) têm sido os meus melhores hobbies nos últimos anos, então escolhi este projecto pois funde estes dois temas e abrange muitos outros temas que irão ser transformadores para mim, enquanto ajudo uma boa causa. Shipka, o local do projecto, é lindo, é uma pequena vila na base de uma cordilheira onde há muita natureza por explorar.

Quando cheguei a casa, tinha a casa cheia: dois voluntários franceses, dois checos, uma alemã e a coordenadora (búlgara), apenas boas pessoas, a viver em comunidade, cheias de histórias para contar e diferentes formas de pensar. Para além das pessoas, quando cheguei conheci o Monkey, que é um gato muito querido e que está sempre a pedir atenção, Shara, uma gata quase sempre mal-humorada, as galinhas e toda a biodiversidade que me rodeia (insectos, aves, ouriços cacheiro, sapos,…), enfim, é tudo o que eu mais gosto à minha volta. Entretanto três dos voluntários terminaram o projecto, mas no mesmo período de tempo acolhemos dois hóspedes, uma cadela que costumava nos cumprimentar na rua, a Sara e outra pequena cadela que foi abandonada na rua em muito mau estado, a Ursula.



Cada dia é diferente neste projecto e cada dia cresço um bocadinho mais e aprendo mais sobre mim e quebro barreiras que antes metia a mim mesmo. Para além dos trabalhos no jardim, já pintei jogos no chão para uma escola numa cidade aqui perto, fiz jogos com crianças em Shipka, fiz um passeio de recolha de lixo em caminhos na montanha pela altura do World Cleanup Day, ajudei na reparação do Chitalishte (centro comunitário) e do Museu Etnográfico e na dinamização dos mesmos, organizei um Dragon Dreaming, estou a construir uma estufa com janelas velhas, adquiri novos conhecimentos (aprendi a fazer um pouco de tricot – muito útil para o Inverno rigoroso que se aproxima - e macramé), partilhei conhecimentos, etc.



Os dias livres são suficientes para conhecer novos sítios na Bulgária (ou outros países por perto, o que irei fazer com certeza) e conhecer outros voluntários de outros projectos ou estudantes Erasmus.

Довиждане! Adeus! :)